Cáritas entrega equipamentos visando fortalecer a pesca artesanal e o associativismo nos territórios Inhamuns e Crateús

Pescadoras e pescadores artesanais de 12 municípios das regiões dos Inhamuns e Crateús foram contemplados com 426 kits para confecção de redes de pesca, além de freezers, canoas e diversos outros equipamentos. Essa é uma ação da Cáritas Diocesana de Crateús, através do projeto “Pescadoras e pescadores artesanais Construindo Bem Viver nos Sertões dos Inhamuns e Crateús”, que é co-financiado pela União Europeia e é apoiado pela CSIV e pelo CPP.

“Durante os quatro anos de execução desse projeto observamos as demandas, os desafios das associações e das pescadoras e dos pescadores. A partir desse levantamento efetuamos a compra e fizemos a distribuição”, explica Adriano Leitão, agente Cáritas. Segundo ele, equipamentos como canoa e linhas foram entregues diretamente aos/às trabalhadores/as, porém foram doados formalmente às associações das quais fazem parte, numa forma de garantir que esses produtos não poderão ser vendidos e serão sempre usado com a finalidade original.

Tais instrumentos visam contribuir com a prática da pesca artesanal e a comercialização, além de instrumentalizar as associações, fomentando assim o associativismo e consequentemente fortalecendo toda essa cadeia produtiva. “Esse freezer vai revolucionar meu trabalho. Antes não tinha lugar onde guardar o peixe, agora tenho uma ferramenta profissional, que vai me permitir vender um produto de qualidade. Estou muito emocionado.”, declarou Francisco José Miranda Ferreira, pescador da comunidade Vila São Pedro, Tamboril.

“Minha família ganhou uma canoa. Foi uma bença grande, pois a gente não tinha e cada vez tínhamos que nos organizar com outros pescadores para que nos emprestassem. Ou quando meu marido ia sozinho, tinha que pescar com a tarrafa ou com a cama de ar. Hoje com essa nova canoa estamos completamente independentes e podemos trabalhar sem preocupações”, agradeceu Antonia de Araújo Silva, pescadora artesanal de Tamboril.

Por Eraldo Paulino, comunicador da Cáritas Diocesana de Crateús

PROJETO CONTEXTO IMPLEMENTA 15 CISTERNAS EM ESCOLAS DE SETE MUNICÍPIOS

A Cáritas de Crateús, iniciou nesta semana, por meio do Projeto Contexto, a implantação de 15 cisternas em escolas dos municípios de Novo Oriente, Milhã, Solonópole, Senador Pompeu, Mombaça, Madalena e Pedra Branca. O objetivo das cisternas é garantir o acesso à água de qualidade para o consumo das crianças, professores e trabalhadores em educação.

Além de oferecer uma água de qualidade e em quantidade suficiente para atender às necessidades da comunidade escolar, a instalação das cisternas visa o fortalecimento das práticas de uma educação contextualizada para a convivência com o Semiárido, pois será implementada uma Farmácia Viva, hortaliças e plantas medicinais cultivadas na unidade escolar.

“A cisterna, além de nos ajudar na captação de água para nossas ações diárias, vai oportunizar melhores condições para o ensino-aprendizagem, pois as hortas serão um importante estímulo para que nossas e nossos estudantes comecem a desenvolver um espírito de cuidado com o meio ambiente e com o Semiárido.”, relatou Francisco Renato Pinheiro, Secretário da Educação no município de Milhã.

A implantação das cisternas é uma iniciativa do Projeto Contexto, executado pela Cáritas de Crateús, e desenvolvido através da Plataforma Educação Marco Zero, e é co-financiado pela União Europeia.

Por Angelica Tomassini, comunicadora da Cáritas Diocensana de Crateús

Pescadoras são contempladas com pesquisa sobre as condições de saúde delas, após um ano de pandemia

Pescadoras acompanhadas pelo Projeto Pescadoras e Pescadores, Construindo o Bem Viver. Foto tirada durante o Seminário das Mulheres das Águas, novembro 2019.

Na semana passada, as pescadoras artesanais de Catunda, Nova Russas, Tamboril, Crateús, Independência, Novo Oriente, Ipaporanga, Quiterianópolis, Tauá, Parambu, Arneiroz e Aiuaba, beneficiárias do Projeto Pescadores e Pescadoras Construindo o Bem Viver nos Sertões de Crateús e dos Inhamuns, foram contempladas com uma pesquisa que pretende investigar as condições de saúde física e psíquica das mulheres das águas, após um ano de pandemia. A pesquisa envolveu cinco pescadoras por cada município e os resultados darão vida a dissertação de mestrado de Jessica Genova, voluntária italiana que, está estudando sobre Saúde Mundial na Universidade de Milão. Por conta da pandemia, Jessica acompanha as ações da Cáritas e realiza a pesquisa de forma remota, da Itália.
A dissertação, intitulada, “A saúde das mulheres pescadores ao longo da pandemia da Covid-19” (original em inglês, “Brazilian fisher women’s health status during the Covid-19 pandemia”), por meio de um levantamento de determinantes socioeconômicos, visa examinar se tiveram cambiamentos na saúde física e mental das pescadoras durante a pandemia. Em particular, a investigação vai abordar as determinantes sociais que têm influenciado o impacto da Covid-19 nas comunidades pesqueiras e na vida diária das mulheres.

Jessica Genova, junto com Elena Marianello, são as duas voluntárias italianas que através do Serviço Civil Italiano. Desde novembro acompanham o trabalho da Cáritas Diocesana de Crateús com amor e dedicação, especialmente no setor de projetos. Embora o projeto delas esteja quase acabando, e elas não tenham podido vir ao Ceará, esta dissertação e todos os trabalhos que realizaram são e continuarão sendo fundamentais para as famílias acompanhadas pela Cáritas.

Por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús.

Projeto Paulo Freire realiza oficina sobre Juventude e Saúde

Ontem, dia 19, foi realizada a primeira oficina sobre “Juventudes do Semiárido e Saúde”, uma ação do Projeto Paulo Freire em parceria com a Escola de Saúde Pública do Estado do Ceará. O objetivo do encontro foi dialogar com as juventudes rurais sobre a Covid-19 no campo, em defesa do SUS e da vacina gratuita para todas e todos.

Participaram cerca de 28 jovens, incluindo Ueslei Gonçalves da Silva, da comunidade de Barra dos Gonçalves, em Quiterianópolis, líder do grupo de jovens “Geração Consciente”, e Gabriel Ruan Pereira do Monte, da comunidade de Lagoa do Anjo, Parambu, membro do grupo “Jovens Anunciadores de Cristo”, ambos acompanhados pela Cáritas Diocesana de Crateús. Também teve a participação de técnicos e técnicas e da equipe do componente de capacidades do Projeto Paulo Freire; A Cáritas de Crateús foi representada por Daniela da Silva Cavalcante, agente Cáritas e assessora social. 

O primeiro momento, trouxe a escuta dos jovens quanto às suas vivências, anseios, perdas e aprendizagens durante esse período nas comunidades rurais. “Conversar com jovens que moram no território, foi enriquecedor, pois na maioria das vezes, através de jornais e televisão, conhecemos as situações das cidades, porém não sabemos o que está acontecendo no nosso Semiárido.”, relata Ueslei Gonçalves da Silva. Segundo ele, a pandemia está sendo um desafio para todos e todas, mas também está sendo um incentivo para cuidar mais da nossa saúde e para refletir sobre a importância da solidariedade nesse momento onde a crise financeira das famílias e os casos de depressão e ansiedade estão crescendo rapidamente. 

No segundo momento, se dialogou sobre o papel do SUS e como a juventude se relaciona com o Sistema Único de Saúde, como ele está presente nas comunidades e a sua importância na pandemia, especialmente para as famílias rurais. Segundo Ueslei foi um momento de pura aprendizagem e reflexão: “quando a oficina acabou, me deparei para pensar na importância do SUS para nossa sociedade e para todas as pessoas que não tem condições de ser atendido nos hospitais públicos ”.

Esse debate subsidiará a segunda oficina, agendada para o dia 02 de junho, com o objetivo da criação da campanha deste ano, dando continuidade às ações preventivas à Covid-19, a defesa do SUS e da vacina. A ação faz parte do Plano de Ação e Sustentabilidade de Juventudes no PPF 2021. O Projeto Paulo Freire é uma realização da Cáritas Diocesana de Crateús, com o financiamento do Governo do Estado do Ceará e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

Texto: Rones Maciel – ASCOM / SDA.

A agente Cáritas Gina Sena relata como tem sido acompanhar as mulheres da caderneta agroecológica

Maria Moreira Martins, carinhosamente Dona Cruizinha; Agricultura da comunidade Riacho, Quiterianópolis

Mães, avós, esposas, domésticas, agricultoras. Esses são apenas alguns dos tantos papéis que as mulheres Experimentadoras da Caderneta Agroecológica exercem. Papéis esses que foram evidenciados através da construção dos questionários, dos mapas de sociobiodiversidade, e com o uso das Cadernetas. Tem sido um desafio delicioso acompanhar essas mulheres nesse caminho de autodescoberta delas, nesse processo de autovalorização.

A experiência de acompanhamento e cada formação que tivemos a oportunidade de participar, de experimentar ao lado dessas mulheres incríveis, nos ajudou a reconhecer os desafios que elas passam, seja por questões de gênero ou de raça. Falar sobre temas tão delicados como a violência doméstica e a divisão justa do trabalho, principalmente no campo, onde o patriarcado estrutural predomina de forma tão forte, ainda é um tabu.

A caderneta é uma ferramenta simples que nos auxilia de forma prática nessa difícil tarefa de mostrar às agricultoras o quanto elas já fazem e o seu potencial, que são capazes de ter independência financeira, além de fazê-las reconhecer a dimensão do trabalho doméstico e no quintal produtivo, não só no quesito econômico, mas na diversificação e segurança alimentar que ela é responsável.

Para além dos números de consumo, venda, troca e doação, as transformações proporcionadas com o projeto são difíceis de mensurar. A mudança de perspectiva a respeito do papel da mulher é lenta, construída à medida que as ações do projeto reverberam dentro da comunidade onde essas mulheres estão inseridas e através do olhar das técnicas/técnicos que nesse processo disseminamos direta e indiretamente o conhecimento adquirido.

Uma das coisas mais gratificantes em fazer parte da família Cáritas é, assim como Paulo Freire nos orientava, poder reconhecer que cada pessoa carrega consigo aprendizagens, que nenhuma de nós é imutável, que não somos seres acabadas e acabados. E que nesse processo de ensino-aprendizagem todas as pessoas envolvidas aprendem. Foi uma honra poder contribuir com elas, e foi maravilhoso aprender tantas coisas nesse caminho.

Texto: Gina Sena, agente Cáritas e técnica de campo do Projeto Paulo Freire

Revisão: Eraldo Paulino, assesor de comunicação da Cáritas Diocesana de Crateús