Feira da Agricultura Familiar movimenta Tamboril

Jerimum, verduras, melancia, milho e feijão. Isso e muito mais foi comercializado pelas comunidades rurais na 5ª Feira da Agricultura Familiar de Tamboril que aconteceu dia 27 de abril. A Feira é organizada pela Prefeitura, Secretaria de Agricultura e Sindicato dos Trabalhadores rurais junto com outras organizações da sociedade civil. A Cáritas Diocesana de Crateús apoia a Feira e esteve presente no evento.

 

 

Foram 40 dias de preparação para conseguir o equipamento e organizar agricultores e agricultoras em um grande evento que por muitos anos foi prejudicado pela seca na região. Aproximadamente 1.000 pessoas estiveram cercadas de frutos da terra cearense, verduras livres de agrotóxicos, cuidados pela dedicação das famílias agricultoras.

Para o vereador e Secretário do Sindicato dos Trabalhadores, José Patu, “a força maior neste momento difícil para Brasil, é a união das famílias que resistem no campo e que podem ser apoiadas por toda a gente que aprecia e compra os produtos”. Já a agricultora Liduina afirmou que em sua casa todos trabalham com a terra, na agricultura, mas que não participavam de Feiras.  “não é uma vida fácil, mas hoje sinto que é importante estar aqui para visibilizar os produtos e afirmar com orgulho a minha profissão de agricultora”, enfatizou.

 Entre cheiro verde, crochê e frutas estava dona Sebastiana, agricultora da comunidade de São Miguel, que com um sorriso no rosto reafirmou o orgulho de ser feirante e trabalhar com a terra: “tenho orgulho de participar da feira, ela me permite vender os produtos do meu quintal, produtos que eu como no meu dia a dia e que alimentam a cidade de Tamboril”.

A educação e a agricultura familiar

Para a pedagoga do Projeto Contexto: Educação, Gênero e Emancipação e agente Cáritas Viviane Brás, a educação tem relação direta com a agricultura. “Buscamos convivência com os nossos climas e incentivar as famílias dos alunos e alunas para que não abandonem o campo, o projeto Contexto parte do principio de respeitar a diversidade do povo para construir as nossas riquezas”.

A coordenadora da CDC, Erbênia de Sousa, também esteve presente na 5ª Feira da Agricultura Familiar de Tamboril a enfatizou a importância do evento não só para o mundo rural, mas para a sociedade como um todo. “É uma alegria participar desse momento celebrativo onde agricultoras e agricultores apresentam seus produtos, o pilar da agricultura familiar e mais que isso, mostra a união entre sociedade e governo”.

Por: Lorenza Strano

A luta dos assentamentos em Crateús por moradia digna continua

A luta dos assentamentos em Crateús não termina. Na sede da Frente Social Cristã no centro do município, depois da segunda audiência pública pela moradia, as representações dos assentamentos Carlos Leite e São José voltaram a se reunir para avaliar os resultados da audiência pública realizada no último dia 20 de abril.

E o que aconteceu aquela manhã de sexta-feira? Moradores e representantes dos quatro assentamentos presentes em Crateús dialogaram com deputados do governo estadual e autoridades locais, mediados pelo promotor Zé Artero que nunca parou de dar voz ao povo. O prefeito não se apresentou, mas enviou um representante da controladoria do município Davi Bezerra.

Se a primeira audiência, realizada em fevereiro deixou sem certeza alguma, desta vez a história se repetiu para alguns assentamentos: São José e Carlos Leite, situados em terrenos municipais, continuam sem avanços.  Já a situação do acampamento Nossa Senhora de Fátima é diferente. O representante da Secretaria da Casa Civil do Governo Estadual, Nelson Martinez, afirmou a autorização dos recursos para comprar os terrenos para as famílias acampadas no Nossa Senhora de Fátima.

A Cáritas Diocesana de Crateús esteve presente para acompanhar mais uma vez os processos de negociação e garantir o direito a uma moradia digna. “O recurso da audiência pública é de vital importância porque conseguimos colocar todos os atores no mesmo espaço, para que todas e todos tenham a oportunidade de se expressar. Foi mais um passo na luta com alguns encaminhamentos, mas ainda tem que dar outros espaços para conquistar mais direitos”, afirmou a representante da CDC, Irmã Cristiane.

A Audiência Pública

Foram quatro horas intensas de resultados e indignação na mesma sala do Crea, que já está reservada para a próxima audiência o dia 14 de maio. No próximo encontro será discutida outra vez a questão da moradia em Crateús e como diversas famílias estão vivendo em situação de vulnerabilidade. Se espera que desta vez o Prefeito compareça e dialogue com a população.         

                     

“A maioria das pessoas acha que foi um impasse imperdoável e tememos que o prefeito não compareça a próxima reunião do dia 14 de maio. Será uma data crucial para a luta porque esta vez, se ficar sem respostas, o povo vai construir as casas”, contou Estevânia Ferreira da Cáritas e Frente Social Cristã.

Enquanto os políticos da cidade de Crateús parecem sumir no meio de manifestações e greves que estão reivindicando outros direitos, os assentamentos continuam na luta, organizando almoços coletivos, mutirão de limpeza e reuniões.

Comunicação CDC

CDC e IBV realizam capacitação em instalação de sistemas de energia solar


De 12 a 14 de abril a Cáritas Diocesana de Crateús recebeu a capacitação em instalação de sistemas de geração de energia solar. A formação teve o objetivo de preparar os participantes e as participantes na instalação do sistema, além do comissionamento e manutenção periódica. A parte prática da capacitação foi realizada na CDC e na comunidade São João Crateús. A atividade foi uma realização da Cáritas Diocesana de Crateús e do IBV, Instituto Bem Viver no âmbito do projeto “Quintais produtivos mantidos pelo sistema bioágua familiar” que conta com a parceria da Secretaria de Agricultura de Crateús e da Secretária de Educação de Novo Oriente.

Estiverem presentes na capacitação: beneficiários do projeto de Quintais produtivos, agentes Cáritas e do IBV, representantes da secretaria de agricultura de Crateús, IFCE, Instituto Federal do Ceará, Associação Caatinga, EFA Dom Fragoso e outros companheiros que iniciam sua trajetória profissional na área das energias renováveis.

No final da capacitação, os participantes e as participantes fizeram uma avaliação positiva reafirmando a importância do sistema de geração de energia solar. Além disso, afirmaram que reforçar e criar uma perspectiva real de ampliação do trabalho no âmbito das energias renováveis traz um novo potencial e fazer com que essa tecnologia possa chegar ao público que estamos acompanhando que são as famílias camponesas agricultoras.

O Projeto de Quintais produtivos:

O Projeto “Quintais Produtivos Mantidos pelo Sistema Bioágua Familiar” tem a gestão e coordenação do IBV, Instituto Bem Viver e conta com apoio do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais, coordenado pelo ISNP, Instituto Sociedade População e Natureza e financiado pelo Fundo Mundial para o Ambiente (GEF) e pelo PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O projeto tem a parceria com a Cáritas Diocesana de Crateús, Secretarias de Educação e Agricultura de Crateús e Secretaria de Educação de Novo Oriente.

Por: Francisco Mardones Sérvulo Bezerra e Comunicação CDC

 

CDC realiza encontro com mulheres de Parambu e Tauá

Mulheres pescadoras dos municípios de Parambu e Tauá, participaram neste sábado, 17 de março, do encontro “As marcas como empoderamento – Construção do mural de identidade” promovido pela Cáritas Diocesana de Crateús, através do Projeto Pescadoras e pescadores artesanais construindo o bem viver.

Durante o encontro as mulheres conversaram sobre sua rotina diária, dialogaram sobre os desafios de ser mulher na pesca e construíram coletivamente um elo de apoio e comprometimento de cuidado umas com as outras. “Às vezes estamos em nossos afazeres e não temos tempo de conversar e cuidar da gente, participar deste encontro foi bom para refletirmos sobre a importância de nós mulheres estarmos mais juntas, apoiar-nos e dedicar alguns momentos para gente”, afirmou Antônia Araújo Gonçalves de Parambu.

Para a pescadora de Tauá, Tânia Maria Feijo da Silva Araujo, o encontro foi um momento de troca e de partilha entre as pescadoras: “foi bom, um momento onde nós conseguimos ter contato umas com as outras, muitas não se conheciam, era só de vista. Foi importante este encontro para se conhecerem, saber do dia a dia de cada uma, a rotina, queremos mais encontros assim”, disse Tânia.

Para fortalecer a união e a integração entre as mulheres foi realizado o “Cuidando da Cuidadora”, um momento para se olhar, cuidar de si mesma, conhecer suas necessidades seus limites e também cuidar da companheira do lado, pensar na comunidade.

Por Anita Dias

Fotos: Lorenza Strano e Marciel de Melo

Projeto de construção de bioágua renova a resistência no Ceará

Agricultoras e agricultores de Ipaporanga e Ararendá participaram do Intercâmbio de Experiências: Reuso das Águas Cinzas nessa quinta-feira, 15 de março. A palavra mutirão foi escolhida para dar inicio ao dia e sublinhar que esse não é um presente individual, mas do esforço comum para dar vida a uma alternativa aos agrotóxicos e aos monocultivos a partir do reaproveitamento da água da louça, do banho, da máquina de lavar e com isso fortalecer a segurança alimentar e tentar reforçar o poder da produção agrícola.

Em um território ameaçado pelos grandes projetos e a mineração, o desafio da mudança climática que provocou uma das maiores seca da história, o bioágua pode representar uma forma de resistência e convivência com o semiárido.  “Quando recebi o bioágua não sabia que ia me apaixonar pelas plantas, agora estudo na EFA, e quero saber sempre mais e mais”, comentou Daniel.

A agricultora Maria Gomes Sousa, mãe de Daniel, que passou a vida toda no campo, mostrou orgulhosa as novas plantações as agricultoras e aos agricultores que vão receber o sistema, enquanto Daniel mostrava como funciona o reuso da água e a produção do esterco. Além disso, Daniel mostrou a produção de adubo através do minhocário. 

Para a agricultora de Ararendá, Maria de Fátima Bezerra da Silva, o sistema de reuso vai transformar a vida dos agricultores e agricultoras da região: “vai a mudar a nossa vida, vou produzir no meu quintal para o consumo da família, sem pesticidas, é muito importante o bioágua, é aquela pequena parte que muda as coisas”, afirmou Maria.

Para o agente Cáritas Edevaldo Melo o projeto de bioágua “é um projeto para pintar uma nova cara do Ceará, uma cara que não tem fome mas que tem vida, uma vida construída por comunidades, organizações da sociedade civil e a sociedade em geral”. Ainda durante o intercâmbio, agricultores e agricultoras tiveram um espaço de reflexão, mas também de diálogo, de expor suas ideia e inquietudes.

O projeto é realizado pela CDC e conta com a parceria das Secretárias de Educação e Agricultora e dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais dos municípios de Ipaporanga e Ararendá, o IBV, Instituto do Bem viver, entre outras. 

O projeto

Financiado pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), o projeto “Sistema de Tratamento e Reuso de Água Cinza Domiciliar”, visa construir 200 unidades de Reuso de Águas no interior cearense, beneficiando pequenas unidades produtivas da Agricultura Familiar em 29 municípios.  As unidades de reuso de água serão destinadas as famílias produtoras agroecológicas que já tenham as tecnologias de convivência com o semiárido: cisternas de 1ª água do programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e de 2ª água do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2).

A Cáritas Diocesana de Crateús é responsável pela implantação de 40 tecnologias de reuso de águas. As implantações serão nos Territórios: Sertão dos Inhamuns, Sertão dos Crateús e na Serra da Ibiapaba, chegando atingir seis municípios (Tianguá , Ipaporanga, Ararendá, Ibiapina, Ubajara e Quiterianópolis). 

Por: Lorenza Strano

Revisão: Anita Dias

Fotos: Lorenza Strano