Projeto Infância Adolescência e Juventude realiza ação solidaria em Indepêndencia

Na manhã desta quarta feira, 12 de maio, foi realizada uma ação pelo Projeto Infância Adolescência e Juventude – PIAJ, apoiado pela Cáritas Diocesana de Crateús, na comunidade Santa Luzia, no município de Independência, onde o Coletivo Arteando, que é composto por jovens e adolescentes acompanhados pelo PIAJ, recebeu cestas básicas, para ajudar as famílias nesse tempo difícil que vivenciamos de Pandemia.
As famílias se organizaram de forma segura e cuidadosa para receber os alimentos. A alegria no olhar, a gratidão nas palavras e o amor no coração de cada uma delas, foi expressado quando relataram que as cestas chegaram em um bom momento. Para muitas famílias receber essa doação faz muita diferença, pois não se trata apenas da entrega, mas também do resultado do engajamento da juventude com a vida comunitária e com a esperança ativa, que está sendo mantida acesa através da solidariedade e da coletividade.

Por Ana Sabrina, agente Cáritas que atua no Projeto Infância Adolescência e Juventude – PIAJ

OS POVOS DAS ÁGUAS SE JUNTAM PARA CONSTRUIR CAMINHOS SUSTENTÁVEIS PARA O BEM VIVER DAS COMUNIDADES PESQUEIRAS.

Na última quinta-feira, 29, pescadores e pescadoras de água doce e litoral do Ceará e Piauí participaram de um seminário virtual com tema “Uso sustentável da água e energia nos territórios do Ceará e Piauí”. O encontro foi um momento de partilha de experiências exitosas com Bioágua Familiar e Biodigestor, tecnologias de energia renovável que tem contribuído para o Bem Viver de comunidades tradicionais de pesca artesanal, que historicamente extraem seu sustento da terra e das águas de forma harmônica, sustentável, em contraponto a práticas depredatórias do grande capital.

O Sistema do Bioágua Familiar proporciona o reuso das águas despejadas das lavagens domésticas, conhecidas por “águas cinzas”, através de um sistema que favorece a irrigação de pequenas áreas como quintais produtivos. Essa tecnologia de convivência com o Semiárido apresenta resultados significativos para a segurança e soberania alimentar de famílias depescadoras e pescadores dos açudes das regiões dos Inhamuns e Crateús.

O Biodigestor, por sua vez, é um sistema de produção de biogás a partir resíduos orgânicos, como fezes de animais. É utilizada por comunidades tradicionais pesqueiras da Região do Delta do Rio Parnaíba e tem sido bastante útil, sobretudo num período em que o gás de cozinha chega a ser vendido por R$ 100, assim como outros produtos básicos que sofrem grande alta de preços, justamente num período em que a renda familiar sofre grandes impactos.

Segundo Luciano Galeno, Educador Popular do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras da Equipe Piauí, tais tecnologias contribuem para estabelecer a autonomia das comunidades tradicionais ao sistema capitalista moderno. “Imaginem se tivéssemos centenas e centenas de comunidades com tecnologias de convivência com o Semiárido implementados nos quintais de casa. Com certeza, não seríamos tão dependentes dos sistemas capitalistas como o agronegócio nos impõem” relata Luciano.

“O agronegócio, a mineração, o turismo desordenado, transposição das águas dos grandes rios, barragens, entre outros projetos destruidores dos bens naturais, estão impactando diretamente e desastrosamente a humanidade, estão atingindo o bem estar das comunidades tradicionais.” denuncia Camila Batista, Educadora Popular do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras da Equipe Ceará. Ela explica que é nossa responsabilidade buscar e pôr em prática métodos eficientes de resistência e de sustentabilidade.

“Nós pescadores e pescadoras sempre fomos guardiões dos rios, pois daqui tiramos nosso sustento quotidiano. Porém, quando os empresários chegaram no território, o equilíbrio dos recursos marinhos foi consideravelmente prejudicado, atingindo o setor da pesca artesanal”, explica Cleomar Ribeiro, pescadora da comunidade Quilombola do Cumbe, Ceará, que com muita alegria explica como essas tecnologias são uma esperança para as comunidades pesqueiras e símbolo na resistência contra os poderosos.

Segundo a irmã Erbenia Sousa, coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús, no Ceará, a caminhada ainda é longa, “porém não impossível! Através de momentos como este podemos impulsionar a sociedade civil a se organizar e mobilizar para contribuir na transformação social, a promoção, preservação, a gestão e a valorização dos recursos naturais”, concluiu. O seminário foi uma realização do Conselho Pastoral dos Pescadores e das Pescadoras, em parceria com MISEREOR, a Cáritas Diocesana de Crateús, a Associação Mãe das Associações da RESEX do Delta do Parnaíba – Amar Delta e a Associação de Pescadores da Ilha das Canárias – APECIC.

Câmara Municipal de Crateús é a primeira do Ceará a aprovar Política municipal de proteção a pescadores e pescadoras artesanais

Na última quinta, 15, as pescadoras e os pescadores artesanais do município de Crateús obtiveram uma conquista histórica, ao conseguirem a aprovação da Política municipal de proteção aos pescadores e pescadoras artesanais em virtude das mudanças climáticas do município de Crateús na Câmara Municipal. O projeto foi apresentado pelo vereador Joãozinho (PL), numa articulação da Colônia de Pescadores Z 39, com apoio da Cáritas Dioceana de Crateús, via projeto Pescadores e Pescadoras Artesanais: Construindo Bem Viver nos Sertões dos Inhamuns e Crateús, que tem apoio do CISV e CPP, e co-financiamento da União Europeia.

Tal feito não é histórico apenas porque Crateús se tornou o primeiro município do Ceará a criar política para proteção e promoção de pescadoras/es, um segmento de nossa sociedade que historicamente amarga uma incômoda invisibilidade, sobretudo em relação às mulheres pescadoras, que sempre ocasionou ausência de políticas públicas. Mas também, e principalmente, por conseguirem a aprovação de uma lei que prevê uma visão ampla de cuidado do meio ambiente, na perspectiva da Convivência com o Semiárido.

“Esse projeto surgiu a partir de uma roda de conversa realizada na nossa comunidade do Realejo, com a assessoria jurídica providenciada pela Cáritas Diocesana de Crateús, quando a gente debateu sobre conflitos ambientais e direitos dos pescadores”, recorda o pescador Adailson Lima. Segundo ele, algumas pessoas ainda resistem a participar de reuniões, mas ele reconhece que se organizar foi fundamental para a conquista desse direito tão aguardado por tantas famílias, que tiram a maior parte do sustento dos açudes e têm a renda diretamente impactada em períodos de estiagem prolongada. Fenômenos que, segundo especialistas, tendem a se intensificar nos próximos anos, por consequência das mudanças climáticas.

Num período de desastroso negacionismo, em que se nega que a terra é plana, se nega a vacina, as mudanças climáticas são propagadas por alguns grupos como uma lenda, atrapalhando a criação e efetivação de políticas de proteção da nossa Casa Comum. “Precisamos acabar com esse consumismo desenfreado e aumentar as práticas de Bem Viver na relação com a terra, as águas, a fauna, a flora e, especialmente com as pessoas.”, defende Adriano Leitão, Agente Cáritas. Segundo ele, é bem verdade que o mundo é grande sistema que precisa de esforços internacionais para mitigar ou reverter esse estágio avançado de mudanças climática que vivenciamos, “mas o que ocorreu em Crateús é um grande exemplo para o Semiárido, para o Brasil e para o mundo”, conclui.

Confira um resumo das ações que deverão ser regulamentadas e efetivadas após a sansão do prefeito Marcelo Machado (Solidariedade):

– Empregar medidas para reduzir os efeitos adversos das mudanças climáticas;

– A proteção do território tradicional de pescadoras e pescadores;

– O poder público deverá providenciar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como chapéus e luvas, coletes salva-vidas, etc., para as pescadoras e os pescadores artesanais;

– Fica proibido o uso de agrotóxico pelos vazanteiros de açudes e em trezentos metros a partir de suas margens;

– Multas aplicadas para quem infringir qualquer regra criada com esta lei serão revestida ao Fundo Municipal de Apoio à Pesca Artesanal, que será usado para apoiar famílias impactadas por mudanças climáticas, especialmente por ocasião da seca dos açudes;