Nova Diretoria eleita na XI Assembleia da Cáritas de Crateús

De maneira extraordinária, foi realizada a XI Assembleia da Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) na última sexta-feira (28/11). É a primeira vez na história da entidade que duas assembleias ocorrem no mesmo ano, já que em abril de 2014 a décima já havia sido feita. Contudo, esta edição foi eletiva e com isso 9 de 10 integrantes da diretoria foi renovada, com destaque para a eleição de padre Helton Rodrigues, pároco da paróquia Senhor do Bonfim, em Crateús, que presidirá a CDC pelos próximos dois anos.

“Foi um momento dinâmico, pois a metodologia favoreceu até quem não conhecia o universo da Cáritas a compreender a dimensão da ação”, declarou Irmã Socorro, da Fraternidade Esperança. Segundo ela, apesar do grande volume de informações repassadas, incluindo prestação de contas anual, o encontro não foi cansativo. “Nós ficamos muito satisfeitos com a participação das pessoas, comentando, questionando, etc. Foi uma assembleia bem participativa”, avaliou Adriano Leitão, agente Cáritas.

Participaram da XI assembleia representantes de cerca de 20 organizações, entre entidades membro, comunidades acompanhadas, associações, ONGs, paróquias e pastorais sociais. E entre essas/es, quem estava apto a votar elegeu padre Helton presidente, diácono José Wilmar, vice-presidente; Francisca Soares Bezerra, secretária geral, irmâ Cristiane Schvaab tesoureira, e como conselheiros fiscais titulares padre Antônio José, Eulália da Silva Paulo e Gilson Araújo; como conselheiros fiscais suplentes ficaram Roginaldo Feitosa de Melo, Giovane Carvalho e Raimundo Filho.

Da esquerda para a direita a nova diretoria eleita: Roginaldo, Gilson, Giovane, Francisca, diácono Zé Wilmar, irmã Cristiane, padre Helton, Eulália, Filho e padre Antônio José

“A minha participação foi pouca e falha por conta do meu trabalho. Participei de poucas reuniões da diretoria, mas devo dizer que aprendi algumas coisas em relação a prestações de contas, que me serviu de espelho para a Frente Social Cristã (FSC)”, resumiu Estevânia Ferreira, líder da FSC e ex-conselheira fiscal titular da Cáritas de Crateús na gestão que se despediu na XI assembleia. Já a irmã Cistiane Scvaad, da Fraternidade esperança, disse estar animada em poder contribuir com esse trabalho coletivo, pra dar continuidade às ações de cuidado com a vida.

“Fiquei muito contente em ver a participação do Clero nessa assembleia, inclusive com Dom Ailton, bispo desde diocese de Crateús contribuindo integralmente, do início ao fim dos trabalhos. Nas outras Cáritas do Regional Ceará isso não é comum”, comentou … Para ele, apesar da participação democrática de todas e todos presentes, nas próximas oportunidades seria interessante deixar as comunidades darem mais testemunho da ação da CDC.

Para Erbênia Sousa, coordenadora da CDC, foi positivo poder apresentar resultados concretos da experiência com voluntariado, que foi demanda apontada pela assembleia em abril. “Além de todo o nosso raio de ação, foi bom poder dar uma resposta em menos de nove meses para um caminho sonhado por esse coletivo”, comemorou Erbênia.

Por Eraldo Paulino, comunicador popular da Cáritas Diocesana de Crateús.

Alexandre Greco em: Apresentação

Acumulo saudades fortes de dias de chuva e cheiro de café, porque aqui é bem diferente, tenho lonjuras constantes e me atrevo a espaçar as retinas e descortinar cosmos constantemente, fuga ou descoberta, não sei ao certo o que se passa em mim e viajo por isso, me reconheço em lugares e caminhos. Quando estrado meus pés pelos asfaltos daqui – ou como diria um amigo “do mêi do mundo” – eu me sinto tão, eu me sinto também sertão.
 
Sorrio quando sopra o vento dos quilômetros de mato, que pareço o menino entusiasmado, aprendendo a firmar os pés na areia fofa da praia de sepetiba, segurando a mão do pai, vacilante aos olhos da mãe, trôpego, como ainda hoje, mas a época pela difícil harmonização das ações dos músculos em adaptação a praia, hoje, apenas a energia cinética em inconsonância com as pulsões cerebrais, meu corpo, as vezes, não é tão. Sepetiba e Quixeramobim estão há 1 metro e 80 centímetros de parecenças e com 120 quilos de distância e ainda precisa emagrecer.
 
E sofro de azias regulares, durmo tarde e acordo cedo, moro em um prédio antigo, num bairro novo de uma capital e vivo entre o urbano e rural, sou meio traço de inteiro sou inteiro risco pela metade, fatiado e confuso, amando tudo que toco, espaventado com os punhados de sorrisos que ganho ao chegar na porta de um Raimundo, Francisco, Das Dores, De Fátima. Uma tapioca com manteiga, carimã pra adoçar a boca sulista de alma confusa e obliqua. Me refaço em cada pincelada de verbo trocado à porta de uma casa sertaneja.
 
Brejeiro embora não traço no sotaque um arrastado ou um corte seco, arre égua, sou eu mesmo, sem espelho que é pra não cair do compasso! Então agora, aqui, desaproprio um pedaço de chão no espaço, 20 hectares de mega bites sem pasto que é pra criar nuvens e alimentá-las de verbo que é pra quando ela crescer a gente poder montar sem cela, só nas espumas, cúmulo nimbos, transformando tudo em tempestade.
 
*Alexandre Greco é comunicador popular do CETRA

Oficina de Reciclagem e produção de mudas em Bom Jardim-Tamboril

Foi realizada oficina de reciclagem e produção de mudas no último dia 26/11 na Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Zeferino Veras, na comunidade de remanescentes de quilombo Bom Jardim, município de Tamboril-CE. O objetivo é mostrar de forma prática como utilizar materiais recicláveis, como garrafas pet e sacos plásticos para produzir mudas de maneira criativa e sustentável.

“Podemos utilizar garrafas pet para construção de pluviômetro caseiros, para medir os milímetros das chuvas, assim como criação de horta candeeiro, que aproveita de forma mais econômica a água e para construção de canteiros, e sacos adquiridos no dia-dia diretamente na produção de mudas, evitando a compra de mais materiais degradantes no comércio”, explicou Edevaldo Melo, técnico agrícola do projeto.

A ação é parte integrante do projeto “Semeando Bem Viver nos Sertões de Crateús”, realizado pela Cáritas Diocesana de Crateús (CDC), com financiamento da We World, até pouco tempo conhecida no Brasil como Intervita. A atividade ocorre em todos os municípios e em parceria com o projeto também realizado pela CDC, “Educação Contextualizada no Sertão do Ceará”, que é patrocinado pela Petrobras, e abrange além de Tamboril, Ipaporanga, Independência, Nova Russas e Quiterianópolis.

Por Eraldo Paulino, comunicador popular da Cáritas Diocesana de Crateús, com informações de Edevaldo Melo.

Gigi Castro em: Sistematização – 05 passos para compreender e comunicar experiência

“A sistematização é aquela interpretação crítica de uma ou várias experiências que, a partir de seu ordenamento e reconstrução, descobre ou explicita a lógica do processo vivido, os fatores que intervieram no dito processo, como se relacionaram entre si e porque o fizeram desse modo.” (Oscar Jara Holliday)
            
Falar sobre processos de sistematização me remete a como me encontrei com essa vertente do conhecimento. Fazia parte do Instituto Terramar e havia um grande projeto envolvendo o Fórum em Defesa da Zona Costeira Cearense, o Fórum de Pescadores e Pescadoras e a Rede de Educação Ambiental do Litoral do Ceará/REALCE. Pois. Projeto grande, muitas ações, três anos — e em meio a todas as tarefas, a de sistematizar a experiência. A entidade que financiava o projeto tinha/tem muita visão: proporcionou às suas parceiras um processo de capacitação em sistematização de experiências com uma consultoria que nos foi dada por Mara Vanessa, do estado da Bahia.
            
Nunca esqueço uma frase que Mara sempre dizia: é possível ser feliz enquanto se sistematiza. A razão de ser dessa afirmação deve se dar ao fato de que, no nosso país, os processos que envolvem reflexão e produção escrita geralmente requerem muito esforço — às vezes acompanhado de não pouco sofrimento. Particularmente, porém, encontrar essa possibilidade, esse possível num campo para mim então completamente novo, foi muito estimulante.
            
Sobretudo porque coube a tarefa, então, de animar a equipe de sistematização daquela que resultou numa publicação acompanhada de um cartaz/mandala e de um DVD de dados: Manguezais x Carcinicultura – lições aprendidas. Foram três anos nesse primeiro trabalho, para além dos três anos do próprio projeto. Muita gente envolvida, muita ação desenvolvida — mas um primeiro grande aprendizado: é preciso focar para sistematizar. E nesse processo, um outro importante encontro foi com a obra de Oscar Jara Holliday e o seu “Para Sistematizar Experiências”. Sedenta que estava de apreender de que forma poder compartilhar os aprendizados da questão que escolhemos como foco, seguir o passo-a-passo sugerido por esse autor facilitou em muito tudo aquilo que tínhamos que desbravar — tendo em conta que a nós cabia tornar o “S” do PMAS efetivo (PMAS = planejamento/monitoramento/avaliação/sistematização a que estão sujeitas todas as entidades da sociedade civil organizada, sobretudo as ONGs, ou seja, as chamadas organizações não governamentais — sabendo que para a parte da sistematização, geralmente, pouco se envida esforços no sentido de prever tempo/recursos e pessoal para tal tarefa).
            
E aí, quase que sem querer (rs), chegamos a um segundo aprendizado: o de que de fato é necessário se pensar em tempo, em recursos e em pessoas para que sistematizar não vire um estorvo na vida institucional de qualquer entidade, de qualquer grupo, de qualquer projeto. Mais: para que realmente seja um tempo de reflexão, de aprendizado — e, como diz Mara Vanessa, de também ser feliz.
 
Nesse sentido, passado já mais que um ciclo de sete anos desde que me propus tomar como minha, dentre tantas outras que exerço, a tarefa de contribuir para a sistematização de experiências relativas ao campo da educação popular no Ceará e no Brasil, eis-me aqui já também no segundo ciclo de sistematização junto à Cáritas Diocesana de Crateús/CDC, outra vez a lidar com a rica experiência de educação contextualizada no semiárido cearense da qual resultou, no primeiro momento, uma publicação, um jogo, um cartaz e um DVD de dados chamado: Retalhos de uma educação contextualizada — e um enorme subtítulo…
 
E porque para mim não basta saber fazer se não é possível compartilhar esse próprio modus operandi do que seja sistematizar, eis-me aqui na missão de buscar apreender os 5 passos dados pelo mestre Oscar Jara a partir de feições nossas, processos nossos, aprendizados nossos ao longo desse tempo — respondendo a uma provocação feita pela assessoria de comunicação do projeto da CDC, na pessoa do Eraldo, para ocupar o site do projeto com elementos do próprio projeto.
            
Isso porque para além de termos que, conjuntamente, chegar a produzir processos que resultem no compartilhamento da experiência de educação contextualizada em questão, havemos que chegar ao ponto em que realmente sistematiza quem viveu a experiência, sem necessidade de mediações feita por um sujeito externo ao processo que, conquanto possa aportar um olhar estranhado e, por essa razão, também significativo, nem por isso se faça necessário, se dadas não forem condições para isso.
            
E por que estou a dizer isso tudo? “Pela simples razão de que a aranha vive do que tece”, como já dizia Gilberto Gil. Ou, dito de outro modo, porque com uma experiência tamanha como a de uma educação contextualizada que extrapolou as fronteiras de um município (Tamboril — foco do primeiro processo de sistematização em 2008) para mais outros quatro (Nova Russas, Independência, Ipaporanga e Quiterianópolis), envolvendo mais de 70 escolas municipais e mais de 400 educadores/as junto a um conjunto de estudantes que chega ao número aproximado de 3.350 sujeitos em formação, não se pode pensar que uma única sistematização possa dar conta do que seja essa experiência!
           
Daí a necessidade de, ao tempo em que vamos tecendo esse processo, possamos ir urdindo outro: o da conscientização de que cada educador ou educadora, cada coordenador ou coordenadora, cada comunidade, cada escola, cada educando ou educanda pode ir tecendo igualmente processos de sistematização — para os quais, inclusive, nem haja espaço neste blog ou no site do projeto ou nas paredes onde esses processos se dão!
           
E nesse sentido, meu papel enquanto facilitadora desses processos é o de dizer: gente boa, vamos nos apropriar disso! Pois que é conhecimento da humanidade, ao qual todos temos direito — e às vezes mesmo o dever de assumir, tendo em conta que diante de tantos processos produtores desse conhecimento, como diz Boaventura Souza Santos, será um absurdo deixar-se perder os aprendizados gerados, as lições aprendidas, os caminhos trilhados por falta de um debruçar-se sobre eles.
           
Então a nossa proposta é ir, a cada mês (desde este novembro de 2014 a abril de 2015) escrevendo um pouco sobre os 5 passos que tornam possível a apreensão de uma experiência, por qualquer tipo de grupo/projeto/sujeito.
            
Que a nossa caminhada possa, então, se dar guiada pelo bom senso e pela confiança de que tão importante quanto fazer é refletir criticamente sobre esse fazer. E, assim, que possamos tecer conjuntamente tantos retalhos quantos forem necessários para que os caminhos trilhados pela educação contextualizada na região de Crateús, sertão dos Inhamuns, se disseminem e difundam mundo afora — não como receita, mas como referência de que é possível viver e ser feliz no semiárido.
 
*Por gigi castro – cantora/compositora/ facilitadora de processos de sistematização de experiências

Agentes Cáritas acompanham culminâncias em Independência

Na última quarta-feira (26/11) foram realizadas culminâncias das temáticas “Semiárido” e “Contação de Histórias” nas escolas das comunidades Mundo Novo, Juazeiro e Palestina, no município de Independência. Esteve presente no evento com ampla participação da comunidade a assessoria pedagógica do projeto “Educação Contextualizada no Sertão do Ceará”, que é realizado pela Cáritas Diocesana de Crateús e patrocinado pela Petrobras.

“Nessa segunda culminância realizada em 2014 a gente percebeu nitidamente a evolução de educandas, educandos e educadoras/es nesse processo. Percebemos claramente que o conteúdo foi muito bem desenvolvido e absolvido, e assim toda comunidade pode presenciar belas apresentações, com resgate da cultura e da história da comunidade, contação de histórias, poesias, teatro, comidas típicas, dança, etc.”, explicou Mirna Sousa, assessora pedagógica do projeto.

Mães e pais de estudantes ficaram impressionados principalmente com a reflexão através de dramatizações e outras ferramentas lúdicas a respeito da migração. Muitas e muitos lembraram de como no passado era muito mais forte a necessidade de ir embora, muitas vezes para se frustrarem em outras regiões, e hoje há mais possibilidades de desenvolvimento no campo com as tecnologias de convivência com o Semiárido, fazendo com que o Sertão seja cada vez mais um lugar bom de se viver.