REDE SOLIDÁRIA DA CÁRITAS FOI FUNDAMENTAL PARA A DISTRIBUIÇÃO DE 1.250 CESTAS BÁSICAS EM TRÊS DIAS

A Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) realizou uma mega ação de solidariedade no último fim de semana. Aproveitando a celebração do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, através de uma rede de proteção à vida formada por paróquias, voluntárias/os, sindicatos, associações, prefeituras e a fundamental parceria com a Fundação Banco do Brasil, através da qual foi possível distribuir 1.250 cestas básicas para nove municípios, sendo eles Crateús, Nova Russas, Tamboril, Independência, Ipaporanga, Parambu, Quiterianópolis, Tauá e Novo Oriente. O trabalho desenvolvido há 15 anos em comunidades do campo e da cidade na Diocese de Crateús e para além deste território, porém, foi fundamental para: Identificar as pessoas que se encontram em condição de vulnerabilidade social; distribuir rápida e eficientemente as doações (mesmo com equipe de agentes reduzida); continuar acompanhando essas pessoas beneficiadas; e diagnosticar situações que precisam de urgente intervenção;

Atualmente, a Cáritas desenvolve, entre outros projetos, o “Pescadoras e Pescadores Artesanais Construindo Bem Viver”, em parceria com a CISV e o CPP, com co-financiamento da União Europeia; O projeto Contexto: Gênero, Educação e Emancipação, realizado em parceria com a We World, Esplar, Instituto Maria da Penha, ACACE, EFA Dom Fragoso e Pastoral do Menor Regional Ceará, financiado pela We World e pela União Europeia; o Projeto Tecendo Redes de Solidariedade, realizado em parceria com a Cáritas Regional Ceará, com apoio da Misereor; e Paulo Freire, com apoio do FIDA e da SDA. Ambos estão com atividades de campo suspensas, por conta da pandemia, sendo na maioria as e os beneficiárias/os destes as mesmas pessoas que foram atendidas com cestas básicas, sendo, portanto, essa ação emergencial parte de uma ação processual que visa a construção do Bem Viver, através do protagonismo de cada sujeita e cada sujeito envolvida/o.

“Foi fundamental para a realização dessa atividade a entrega incondicional de pessoas das secretarias de educação, de sindicatos, de associações e de voluntárias e voluntários nossos, num sinal de que nossas ações de fortalecimento de redes de solidariedade estão no caminho certo”, avalia irmã Francisca Erbenia Sousa, coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús. Segundo ela, o apoio do BB Seguros, do Banco BV e do Banco do Brasil, por meio da Fundação Banco do Brasil, é fundamental, e se encaixa perfeitamente com a política de defesa da vida defendida pela Igreja do Brasil e pela Rede Cáritas Brasileira. “Na situação que nos encontramos, essas cestas distribuídas pela Cáritas e pela Fundação Banco do Brasil vão ajudar muito as famílias, no alimento e pão de cada dia.”, agradece Valda Saraiva, do município de Crateús.

CÁRITAS DE CRATEÚS DISTRIBUI 1.250 CESTAS BÁSICAS A NOVE MUNICÍPIOS DA REGIÃO, COM APOIO DA FBB

Da esquerda para a direita, Marcones Moura, Marciel Melo, Moizeis Santos, José Loiola, Romério Cavalcante e Lucieudo Gonçalves, na Cruzeta, a caminho de Tauá e Parambu para distribuição de cestas básicas, no 1º de Maio.

No Dia das Trabalhadoras e dos Trabalhadores e durante todo este fim de semana, as e os agentes da Cáritas Diocesana de Crateús (CDC)estiveram nas ruas distribuindo alimentação e material de higiene para famílias que se encontram em condição de vulnerabilidade durante a pandemia de Covid-19. Este gesto de solidariedade só foi possível graças ao apoio do BB Seguros, do Banco BV e do Banco do Brasil, por meio da Fundação Banco do Brasil. Graças a este apoio, foram distribuídas 1.250 cestas básicas, para famílias dos municípios de Crateús (350), Tamboril (150), Nova Russas (100), Ipaporanga (50), Independência (50), Novo Oriente (150), Quiterianópolis (200), Tauá (150), e Parambu (50).

Da esquerda para a direita, as agricultoras Aldilene Oliveira, Antonia Cleonice e Josefa Pereira, recebendo cestas do agente Cáritas Romério Cavalcante, no bairro Colibris, município de Tauá.

A situação de vulnerabilidade social de milhares de famílias da região se agravou nas últimas semanas, não apenas por consequência do necessário isolamento social para conter a pandemia de Covid-19, mas também devido a enchentes que atingiram centenas de famílias em Quiterianópolis, Crateús, Tauá e Novo Oriente. “Agradecemos o apoio da Fundação Banco do Brasil e a todas as pessoas que estão fazendo gestos de solidariedade através da partilha de recursos financeiros, alimentos e material de limpeza, para que sigamos fazendo um grande mutirão para proteger a vida das pessoas mais vulneráveis”, pontua Adriano Leitão, agente Cáritas.

Da esquerda para a direita, os pescadores artesanais Francisco de Souza, Eronilson Gomes e José Edilson, de Nova Russas

FORÇA TAREFA

Neste período em que celebramos o Dia das Trabalhadoras e Trabalhadores, em que pescadora/es, agricultoras/es, pedreiras/os, uma ótima forma de honrar essa data foram os gestos concretos de fraternidade entre voluntárias/os e pessoas em condições de vulnerabilidade. Para uma entrega deste tamanho ser realizada em tão pouco tempo, foi necessário o despojamento das e dos agentes Cáritas que se dispuseram com amor e empenho a colaborar para esta ação, mesmo durante o feriado e o fim de semana, junto de agentes de pastoral das paróquias dos respectivos municípios beneficiados, além da valorosa contribuição de colônias de pescadoras/es, associações e voluntárias/os da CDC.

Da esquerda para a direita, as donas de casa Ana Lima, Andressa Melo, Antonia Martins, o agricultor Francisco Batista, as donas de casa Maria da Costa, Regina Mota e Ana Cruz, no bairro dos Venâncios, em Crateús.

Vale lembrar que, por conta dos riscos de contaminação durante a pandemia, a Cáritas Diocesana de Crateús e a Fundação Banco do Brasil se preocuparam em não formar filas, aglomerações entre as pessoas beneficiárias, bem como foi garantido Equipamento de Proteção Individual para todas as pessoas que atuaram na distribuição, entre fornecedores, agentes e colaboradoras/es voluntárias/os.

Da esquerda para a direita, o agente Cáritas Romerio Cavalcante, a pescadora Flaviana Cavalcante, e as agricultoras Maria do Carmo e Madalena Cavalcante, da comunidade São Cipriano, município de Parambu
Da esquerda para a direita, a pescadora Maria de Fátima Xavier, os pescadores José Messias, Francisco Oliveira, Antonio Vanderlei, a pescadora Vera Lúscia, o pescador José Roberto e a pescadora Maria do Carmo Carneiro, no Carnaubal, município de Crateús
Da esquerda para a direita, o agente Cáritas Maycon Silva e as pescadoras Jordânia Silva, Jacqueline Ferreira e Telma Feijó, na Colônia de Pescadores de Tauá.

Editado às 18:40.

Primeiro dia de Feira

Choveu ontem (04/06) em Crateús. Só essa notícia em si já seria suficiente para encher de alegria e esperança o povo sertanejo da região dos Inhamuns-Crateús, no Ceará. Mas além disso, a água que caiu do céu coroou o sucesso do primeiro dia de realização da XI Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária, cujo encerramento se dará na noite de hoje (05/06), na praça Gentil Cardoso, localizada em terras crateuenses. Realizada no 4º ano de seca neste território, o evento é mais um forte indício de como as aprendizagens e tecnologias voltadas à convivência com o Semiárido tornam, de fato, este chão recheado de resistências um lugar bom para bem viver. Testemunharam esses milagres da vida e da esperança pessoas de várias partes do Brasil, que vieram somar suas cirandas às deste evento.

“Neste ano, para fortalecer essa caminhada que já é uma referência para a rede Cáritas, no que se refere à realização de feira da agricultura familiar no Nordeste, trouxemos para dentro deste ambiente o Encontro Nacional de Encontro de Economia Popular Solidária, onde foi realizado o monitoramento do projeto nacional de Fundos Rotativos, assim como o Encontro de Mulheres do Semiárido da Rede Cáritas”, explicou Marcelo Lemos, assessor do secretariado nacional da Cáritas Brasileira. Além destes eventos, também foi experienciado em Crateús nestes dias o Intercâmbio Estadual de Catadoras/es de Material Reciclável. Estas rodas de conversa trouxeram à dinâmica da feira representantes de 15 estados brasileiros.

O PRIMEIRO DIA

Pela manhã, enquanto cadastravam-se as/os feirantes de 30 municípios (19 das 20 cidades do território Inhamuns-Crateús presentes, número de difícil alcance mesmo em anos de inverno regular), eram finalizados o Encontro de Mulheres do Semiárido, realizado nos dias 03 e 04 no auditório do IFCE-Campus Crateús, e o Encontro da Rede Cáritas EPS, vivenciados nos mesmos dias, mas no auditório da Cáritas Diocesana de Crateús. Estas atividades foram encerradas ainda pela manhã, enquanto o Intercâmbio Estadual de Catadoras/es de Material Reciclável iniciavam as ações que culminariam apenas ao pôr do sol.

Foto de Solange Santana, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crato

Participaram deste último evento citado catadoras/es de materiais recicláveis das regiões de Fortaleza, Metropolitana, Vale do Jaguaribe e Cariri, representando a Rede Estadual de Intercâmbio sobre Programa de Coleta Seletiva da Secretaria de Meio Ambiente de Crateús. O objetivo era conhecer a experiência do município que já foi contemplado em 2013 com o Prêmio Pró Catador, do governo Federal, por ter iniciativa de Coleta Seletiva com inclusão das/os catadoras/es, como prevê a Politica Nacional de Resíduos Sólidos, lei 12.305 de agosto de 2010.Nas regiões citadas, onde há acompanhamento da Caritas Regional Ceará junto às organizações desta categoria, ainda não é possível perceber avanços na efetivação da política citada. A categoria ainda luta por espaços adequados de trabalho, equipamentos, coleta seletiva e contratação por serviços prestados, dentre outros direitos.

“Se em Barbalha a gente chegasse ao menos a 10% disso aqui eu acharia um sonho”, desabafou o catador de materiais recicláveis José Justino da Silva, referindo-se ao descaso na aplicação da lei federal em seu município. Realidade que se repete na grande maioria das cidades brasileiras. Justino declarou ter ficado feliz em ter podido vir à feira e participado deste debate.

MULHERES

“Vim participar da feira, e mais especificamente do I Encontro de Mulheres que Vivem no Semiárido, promovido pela Cáritas Brasileira. Contamos com a participação de cerca de 80 mulheres, e vivemos reflexões importantes sobre patriarcado, sobre o sexismo, sobre as formas de opressão que as mulheres vivem cotidianamente no Semiárido”, relatou Francisca Sena, membro do Secretariado Regional da Cáritas Brasileira Regional Ceará. Segundo ela, foi possível trazer presente vários aspectos da luta por equidade de gêneros em diversas áreas, mas sobretudo no campo. A atividade realizada no auditório do IFCE – Campus Crateús ocorreu também como uma forma de fortalecer a feira regional de Crateús, que, nesta 11ª edição, contou com 70% de mulheres entre as/os feirantes inscritas/os.

Foto de Allan Lusttosa, comunicador da Cáritas Regional Nordeste 3

Segundo Valquíria Lima, da coordenação nacional da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) e membro do Secretariado Regional da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, e uma das articuladoras do encontro de mulheres, em espaços como esses que acaba sendo possível fortalecer o projeto político de desenvolvimento pro Semiárido Brasileiro defendido pela ASA e pela Rede Cáritas.

ENCONTRO DA REDE CÁRITAS EPS

Durante o movimentado encontro da Rede Cáritas de Economia Popular Solidária (EPS) houve espaço para apresentar o Projeto de Fortalecimento da Economia Solidária no Brasil, financiado pela comunidade europeia. Também foi realizada a segunda etapa do monitoramento do projeto de Fundos Rotativos Solidários. Além da troca de informações a respeito do andamento deste processo, tido como prioridade para as maiorias das caritas diocesanas e entidades membro do Brasil, o encontro também serviu para fortalecer a experiência da feira de agricultura familiar e economia popular solidária da região de Crateús.

“Esse espaço [da feira] é muito representativo. De muita luta e muita teimosia, no bom sentido. De muitas pessoas de Crateús e toda região que fizeram e fazem deste evento como espaço que vem se consolidando cada vez mais como uma feira de referência nacional. Quem sabe ano que vem nós não vamos dobrar o número de pessoas, dobrar os estados, esse também é o compromisso da Cáritas Brasileira, da Cáritas do Ceará e também da Cáritas de Crateús”, ponderou Fernando Zambam, do Secretariado Nacional da Cáritas Brasileira.

ABERTURA OFICIAL

Antes do prefeito de Crateús, Mauro Soares, declarar oficialmente a abertura da XI Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária, a praça Gentil Cardoso, popularmente conhecida como “Praça dos Pirulitos”, já estava com número de pessoas maior do que na abertura do evento em 2014. Após o fim dos trabalhos na primeira noite de comercialização, grande parte das/os empreendedoras/es já tinha vendido mais no primeiro dia do que nos dois dias de outras feiras. Como que para coroar a celebração da unidade entre campo e cidade e da amostra de um outro mundo possível, simbolizado na essência dessa atividade construída a várias mãos e um só sonho, a chuva caiu. A essa altura, o II Festival de Sanfona realizado dentro da programação cultural já embalava passos de dança, então foi só continuar dançando encharcados de chuva e esperança. De alma lavada, e compromisso com o Semiárido, com o campo, e com uma cidade melhores, embora cansadas/os as/os protagonistas desse evento que são as/os próprias/os empreendedores voltaram para os alojamentos solidários cansados, mas felizes. Prontas e prontos para o segundo dia.

 

Por Eraldo Paulino, comunicador popular da Cáritas Diocesana de Crateús, com a colaboração de Solange Santana, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crato e Silvania Mendes, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Limoeiro.