A IMPORTÂNCIA DO ASSOCIATIVISMO NO SETOR DA APICULTURA

Mirian Pereira da Silva Sousa

Os agricultores e as agricultoras familiares da comunidade rural Sumaré, município de Aiuaba, estão descobrindo na apicultura uma nova realidade sustentável que está lhes permite melhorar a renda e permite às famílias a busca por novos conhecimentos. Após passarem a vida na roça, trabalhando com culturas que cada ano são prejudicadas pela estiagem prolongadas, conseguiram diversificar as atividades deles e delas através da produção de mel. 

Mirian Pereira da Silva Sousa, agricultora que sempre plantou e comercializou feijão, milho e mandioca, hoje é sócia da Associação Comunitária de Sumaré. “Na época do inverno, sustento minha família com a comercialização do feijão e antes do projeto, já produzia mel, mas em pequenas quantidades. Através do Projeto Paulo Freire recebi material apícola, capacitações técnicas e treinamentos que permitiu-me ampliar minha produção, conseguindo assim um dinheiro extra”, explica dona Miriam, que acrescenta que os apicultores devem se comportar como as abelhas: Têm que trabalhar em conjunto e pela comunidade. 

“Os apicultores não podem trabalhar sozinhos, sempre tem que ser membro de associações”, afirma dona Miriam, explicando que o associativismo representa um meio facilitador para obtenção de créditos agrícolas, canais de comercialização e de organização das demandas diante das instâncias governamentais. “Através da associação a gente consegue vender mais, aqui na comunidade chegam os caminhões que levam todos nossos produtos para a cidade”, explica dona Miriam. Depois de três anos da chegada do projeto na comunidade, a colheita do ano passado foi um sucesso; a Associação Comunitária de Sumaré conseguiu produzir 12 toneladas de mel, e por esse ano, os apicultores e as apicultores esperam um aumento aproximado de 50%. 

O Projeto Paulo Freire é executado pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário, o Governo do Estado do Ceará e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e através da Cáritas Diocesana de Crateús garante uma Assessoria Técnica Contínua aos agricultores e as agricultoras do território dos Sertões de crateús e dos Inhamuns.

Por Angelica Tomassimi, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús

VACINAS CONTRA A COVID-19 CHEGAM PARA O POVO INDÍGENA TABAJARA E NO QUILOMBO SERRA DOS PAULOS

Duas comunidades rurais acompanhadas pelo Projeto Paulo Freire, através da Caritas Diocesana de Crateús, começaram desde a última semana de janeiro a primeira fase de subministração das vacinas contra a COVID-19, e devem receber a segunda dose 21 dias após a primeira aplicação. O povo dos remanescentes Tabajara recebeu 100% da primeira dose referente a 350 indígenas, distribuídas em quatro aldeias diferentes porém todas localizadas em Quiterianópolis: Fidélis, Croata, Bom Jesus e aldeia Vila Nova, e também indígenas residentes nas comunidades de São José dos Né, Gavião, Babosa e Espinheiro. Na aldeia Fidelis , acompanhada pela Caritas de Crateús, foram vacinados 114 indígenas

Eleniza Tabajara, liderança do povo Tabajara de Quiterianópolis, aldeia Fidélis, explica que todas as fases estabelecidas no Plano Nacional de Imunização foram respeitadas e que as vacinas distribuídas foram destinadas unicamente para os índios aldeados, ou seja, vivendo atualmente em terras indígenas. “Primeiramente foram vacinadas os idosos acima de 60 anos e no segundo momento, o grupo de 59 anos até os 18 anos. Mesmo sabendo que a luta contra a COVID-19 ainda não terminou para nosso povo, foi um privilégio e uma alegria poder receber a primeira dose. Agora esperamos que a vacina possa chegar para o mundo todo o mais antes possível.” destaca Eleniza.  

Leonardo Tabajara, presidente do CITAQ – Conselho Indígena dos Povos Tabajaras de Quiterianópolis, destaca o trabalho realizado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI, com uma logística que atendeu as orientações de armazenamento, transporte e distribuição das vacinas. “Primeiramente foram vacinados nossos idosos “troncos velhos” e continuamente os demais indígenas das aldeias e isso trouxe umarenovação da fé muito grande”, cita Leonardo.

Vacina em terra quilombola

Também na comunidade Quilombola Serra dos Paulos, Parambu, na semana passada, as primeiras doses chegaram para o grupo prioritário constituído pelos idosos acima de 90 anos e para os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente. Dona Josefa Vitoria da Silva, 90 anos, foi a primeira quilombola a ser beneficiada pela vacina diretamente no seu domicílio. “Eu nem posso explicar a emoção que senti quando a Dona Josefa foi vacinada. A expectativa é que a vacina chegue para a comunidade toda rapidamente, porém temos que ser pacientes e aguardar nosso turno”, relata com muita comoção Maria Pereira Mota, Agente Comunitária de Saúde que acompanha a comunidade.

Segundo ela, este é um momento histórico, um momento importante, mas acrescenta que a pandemia não acabou. “Essa vacina é a salvação, mas agora é muito importante que as pessoas continuem se prevenindo utilizando máscaras e evitando aglomerações”. 

Ambas comunidades são beneficiárias do Projeto Paulo Freire, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. Através da Cáritas Diocesana de Crateús proporciona uma assessoria técnica contínua às famílias das zonas rurais dos Sertões de Crateús e dos Inhamuns e implementa Planos de Investimentos produtivos nas atividades de Mandiocultura, Cajucultura, Avicultura, Ovinocultura e Suinocultura.

“Cuidar das vidas, sempre foi a estrutura que alicerça as ações da Caritas Diocesana de Crateús, e nós como Agentes Caritas que estamos acompanhando essas comunidades e famílias, também nos sentimos privilegiados em poder partilhar desse momento e de demais que virão em breve”, afirmou Daniela Cavalcante, Assessora Social que tua no Projeto Paulo Freire nas duas comunidades. 

Por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús.

AGRICULTORES E AGRICULTURAS ELEVAM O PADRÃO DE VIDA DA SUAS FAMÍLIAS ATRAVÉS DA AVICULTURA

Dona Franscisa Cândia e Francisco Junior Gomes, agricutores da comunidade Divisão, município de Parambu

No ano passado, 17 famílias da comunidade Divisão, zona rural no município de Parambu, receberam através do Projeto Paulo Freire, 1.020 pintos, sacos de ração e equipamentos para a construção de aviários. As e os avicultores, que já criaram e venderam os pintinhos recebidos, com o lucro puderam adquirir outros lotes, garantindo geração de renda e a segurança alimentar do núcleo familiar. A conquista de aviários e as rações adequadas garantiram o crescimento saudável da espécie, proporcionando uma melhoria do produto e, consequentemente, a possibilidade de aumentar o preço de venda.
 
Dona Francisca Cândia e seu filho Francisco Junior Gomes, que antes do projeto criavam galinhas caipiras somente para o consumo próprio da família, com o lote recebido mudaram significativamente a realidade econômica deles. “Os animais do projeto são de raça e com dois meses de idade já chegam ao peso de 2 quilogramas”, explica dona Francisca, que no passado não conseguia conformar o produto aos requisitos do mercado, pois o tempo para os frangos alcançarem o peso de venda era muito longo. 

“Do lote que recebemos com o projeto, alguns foram usados para a nossa alimentação e a maioria foi comercializado aos 3 meses de vida com uma média 2,7 quilogramas, cada um vendido por R $10,00”, relata dona Francisca, que acrescenta alegremente que há quando começaram a venda, nunca faltaram as encomendas, pois os moradores da comunidade reconhecem a qualidade do produto. Segundo Francisco Junior, a assessoria técnica da Cáritas de Crateús lhes deu as noções técnicas para criar adequadamente os animais, além de incentivar os agricultores e as agricultoras da comunidade a produzirem mais. 

“Antes de conhecer o Projeto Paulo Freire, nós já tínhamos os pintos, porém estávamos sem os conhecimentos e as estruturas adequadas para criá-los”, explica Francisco Junior que recebendo os animais, assumiu também o compromisso de participar das formações e da construção do aviário. “Meu filho Francisco Junior e eu zelamos e cuidamos dessa atividade com muita dedicação, lavamos e varremos diariamente as instalações para evitar a proliferação de doenças, pesamos todos os ingredientes da ração para manter os frangos saudáveis” conta com orgulho dona Francisca.
 
O Projeto Paulo Freire é realizado pela Cáritas Diocesana de Crateús, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e tem como objetivo a redução da extrema pobreza nas zonas rurais, elevando o padrão de vida das famílias através da agricultura familiar. “Estou muito feliz e satisfeita com os benefícios que esse projeto está proporcionando para minha família, meus clientes sempre estão me procurando e tenho muito carinho e respeito pelos técnicos e as técnicas da Cáritas Diocesana de Crateús que estão nos acompanhando”, comenta dona Francisca.

Por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús

NOTA DE ESCLARECIMENTO: Meu INSS e a contribuição da Cáritas

Até o momento 13 pescadores foram assessorados pela Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) para acessar direitos previdenciários. O Projeto Pescadoras e Pescadores Artesanais Construindo Bem Viver nos Sertões dos Inhamuns e Crateús, que é realizado pela CDC, em parceria com a CISV e CPP e co-financiado pela União Europeia tem sido fomento na luta contra a invisibilidade e a garantia de direitos das comunidades tradicionais pesqueiras que, por conta da falta de acesso à educação, possui muitas trabalhadoras e muitos trabalhadores na condição de analfabetismo, e carecem de informações sobre como vencer a burocracia estatal, por isso em muitos casos são facilmente enganadas/os ou menosprezadas/os no momento que precisam acessar benefícios.

Uma das contribuições do projeto, nesse sentido, tem sido colaboração no uso do aplicativo “MEU INSS”, com a contribuição de Raila Marques, secretária da Colônia de Pescadoras/es Z-58, de Novo Oriente. Ela e as agentes Cáritas Fátima Veras e Vilmar Santos têm feito atendimentos individuais personalizados, e ajudado especialmente pessoas que são membros de associações de pescadoras e pescadores. Por conta do vínculo com uma entidade de classe, alguns vêm enfrentando dificuldades em acessar direitos previdenciários, mas o direito de participar de um espaço representativo formal não muda o fato de que essas pessoas são pescadoras. Ao contrário, reforça essa identidade. Qualquer discurso que diga o contrário é uma tentativa velada de desencorajar a categoria a se organizar de forma autônoma.

A Cáritas Diocesana de Crateús continuará fazendo um acompanhamento sistemático de todas e todos as/os pescadoras/es dos territórios Inhamuns e Crateús, e a ser parceira na luta para que nenhum direito seja negado e mais benefícios sejam conquistados. Acreditamos nas múltiplas capacidades cada pescadora e cada pescador, e defendemos que elas e eles sejam protagonistas da própria transformação social.

JOVENS ACOMPANHADOS PELA CÁRITAS PARTICIPAM DO PROJETO REPÓRTER DIGITAL

Iana Gonçalves

Três jovens da região dos Inhamuns, acompanhado e acompanhadas pela Cáritas Diocesana de Crateús, através do Projeto Paulo Freire, que é financiado pela SDA e pelo FIDA, estão participando do Projeto “Repórter Digital”, ação promovida pelo Instituto Ubíqua. Iana Gonçalves Mendes, da comunidade Pau Preto, Parambu, Elidiene Pereira, da comunidade Açudinho, em Tauá e Rubens Moreira Martins da comunidade Riacho, Quiterianópolis, que fazem parte da Rede de Jovem Comunicadoras/es Populares, já estão participando do curso, que tem como objetivo capacitar 20 jovens do Ceará para produzirem conteúdo informativo e de entretenimento (notas, matérias, vídeos, etc.) através do aplicativo que recebe o mesmo nome do projeto.

Elidiene Pereira

“Esse projeto também está sendo realizado com jovens da Bahia, através do Projeto Pró-Semiárido, e o “Viva o Semiárido”, no Piauí, ambos financiados pelo FIDA, na perspectiva de desenvolver habilidades através de uma capacitação em linguagens temáticas e temas que envolvem a comunicação e a convivência com o Semiárido”, explica Rones Maciel, assessor de juventudes e comunicação no Projeto Paulo Freire /SDA. Segundo ele, a primeira etapa de formação terá uma duração média de três meses, período em que serão desenvolvidas linguagens de áudio, audiovisual, produção de conteúdo para a internet, etc., via tele-aulas. As e os jovens têm acesso a uma plataforma digital que lhes permite assistir às aulas aos fins de semana e desenvolver atividades durante a semana.

Para Iana Gonçalves, um dos desafios é a conexão, pois o sinal nas comunidades camponesas já é melhor do que outrora, mas as vezes alguns jovens não conseguem participar das aulas online, interagir com os colegas nesse momento, mas ninguém fica sem conteúdo, pois existe um esforço tanto das e dos jovens como da coordenação do curso para superar os desafios que apareçam. “A experiência tem sido muito boa, porque além de jovens do Ceará, também vamos interagir com pessoas de outros estados, e vamos poder conhecer outras realidades”, comemora Elidiene Pereira. Segundo ela, essa é uma área de conhecimento desejada por muitas pessoas, e poder ter acesso a esse conteúdo de qualidade é uma oportunidade que ela pretende aproveitar da melhor forma possível.

AS JOVENS VOZES DAS COMUNIDADES

As e os participantes devem desenvolver as atividades como “desafios” a serem cumpridos para interferir na realidade da comunidade onde moram. Elidiene, por exemplo, no primeiro “desafio” identificou a falta de comunicação das atividades desenvolvidas pelo grupo Força Jovem, do qual ela faz parte. Então ela está partilhando o conhecimento que recebe e junto com as/os amigas/os construiu uma estratégia de comunicação. “Queremos por meio das redes sociais mostrar, não só para a nossa comunidade, mas também para as comunidades vizinhas, cada ação realizada pelo o grupo, cada oportunidade dada aos jovens”, resume. Segundo ela, a divulgação pode ajudar a conquistar mais apoio e quem sabe mais jovens.