A CÁRITAS DIOCESANA DE CRATEÚS TEM NOVA DIRETORIA PARA O BIÊNIO 2020- 2022

por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús

A Cáritas Diocesana de Crateús, realizou na sexta feira 09 de outubro, a sua assembleia anual para revisar as atividades realizadas, prestar contas das finanças de cada projeto, e para as eleições da nova Diretoria para o biênio 2020-2022. A reunião aconteceu de maneira remota, respeitando as orientações da Organização Mundial da Saúde, e teve a presença das/os agentes Cáritas, pastorais e paróquias da Diocese de Crateús, representante da Cáritas Brasileira Regional Ceará, parceiros, e representantes das comunidades beneficiadas. 

Francisco Helton Rodrigues Melo, pároco da Paróquia Senhor do Bonfim de Crateús, e tesoureiro na diretoria passada, assume a presidência da Cáritas Diocesana de Crateús. “É uma alegria ter Padre Helton como presidente pela segunda vez e esperamos que seja um mandado repleto de novos projetos, formações e diálogo entre as várias entidades da instituição”, observou ir. Francisca Erbenia Sousa, coordenadora geral da Cáritas. 

A nova diretoria ficou assim constituída: 

Diretoria da Cáritas Diocesana de Crateús:

Francisco Helton Rodrigues Melo – Presidente 

Jonas da Luz dos Santos – Vice – Presidente 

Rosane Maria Torres Cardoso – Tesoureira 

Maria Eulalia da Silva Paulo – Secretaria 

Conselho Fiscal- Titulares

1ª Francisca Estevânia Ferreira

2ª Maria do Socorro Mota

3ª Antonio José da Luz Santos

Conselho Fiscal- Suplentes

1ª Francisco Thallys Rodrigues

2ª Jose Humberto Gomes

3ª Ribamar do Nascimento

A Coordenação da Colegiada, fica inalterada e assim composta: 

Francisca Erbenia de Sousa – Coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús

Antônio Adriano da Silva leitão – Coordenador do projeto “Pescadoras e Pescadores, Construindo o Bem Viver nos territórios de Crateús e Inhamuns” 

Keila Delly Marinhero Veríssimo – Coordenadora do projeto “Projeto Paulo Freire (PPF)” 

Dulce Fabian Ludovina – Coordenadora do projeto “Tecendo Redes de Solidariedade”

Paulo Cesar Andrade Oliveira – Coordenador do projeto “Projeto Contexto Educação, Gênero, Emancipação”.

PROJETO DE PESCADORAS E PESCADORES É BENEFICIADO COM AVALIAÇÃO EXTERNA

A equipe do projeto Pescadoras e Pescadores Artesanais: Construindo o Bem Viver nos Sertões dos Inhamuns e Crateús começou nesta segunda feira, 28, o processo do Monitoramento Orientado para Resultados, ou ROM (Results Oriented Monitoring em inglês), com o avaliador externo Vincent Brackelaire, escolhido pela União Europeia, co-financiadora deste projeto, que é realizado pela Cáritas Diocesana de Crateús, em parceria com a CISV e o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP). Todas as reuniões estão sendo realizadas virtualmente, por conta da pandemia do Covid-19.

O objetivo do monitoramento é investigar qual a eficiência do projeto, sobretudo do ponto de vista da satisfação das e dos 832 pescadoras e pescadores atendidas e atendidos em 12 municípios, e observar se as comunidades envolvidas poderão continuar as ações de formação política, de mobilizações em luta por direitos e mais qualidade de vida mesmo após o fim do projeto. Assim, tendo em conta este é o último ano de implementação, uma das tarefas da ROM é definir estratégias que possa permitir a sustentabilidade das ações realizadas nestes quatro anos, levando em consideração que estamos no ultimo ano da implementação do projeto.

Nos próximos dias, Vincent conversará com representantes das diversas organizações e os associados e associadas que constroem o projeto, como as unidades de gestão da ação, agentes Cáritas, membros do CPP, da CISV, dos representantes de grupos, associações e colônias de pescadoras/es. Ao fim do processo, ele e Maria Cristina Araújo, que é gestora de projetos da União Europeia, darão aos atores e às atrizes do projeto recomendações e orientações que julgarem pertinentes para um encerramento de um ciclo de quatro anos com o máximo de frutos para as comunidades tradicionais de pescadoras/es beneficiadas.

FIOCRUZ PESQUISA CONDIÇÃO DE VIDA E SAÚDE DE PESCADORAS E PESCADORES ARTESANAIS

A Fiocruz Ceará iniciou nesta segunda feira, 21, mais uma etapa da pesquisa de produção de indicadores das condições de vida e saúde de pescadoras/es artesanais e agricultoras/es familiares do município de Novo Oriente. O diagnóstico gerará informações sobre os problemas de saúde que estão relacionados ao trabalho e ao ambiente, e também vão subsidiar o planejamento para incidência em políticas públicas de saúde para essas populações.

Participantes da pesquisa realizarão exames físicos para mapear possíveis adoecimentos e quais são as necessidades de saúde e cuidados que vão desde atendimentos, medicamentos a programas específicos. A ação está sendo apoiada pela Colônia Z – 58 de Novo Oriente, o Conselho Pastoral dos Pescadores e a Caritas Diocesana de Crateús, através do projeto Pescadoras e Pescadores Artesanais Construindo Bem Viver, que é co-financiado pela União Europeia e também tem apoio da CISV.

As organizações estão colaborando com o processo de articulação de participantes, para que essa etapa da pesquisa aconteça de forma segura e com os cuidados necessários que esse período de pandemia exige.

JOVENS ACOMPANHADOS PELA CÁRITAS PARTICIPAM DO PROJETO REPÓRTER DIGITAL

Iana Gonçalves

Três jovens da região dos Inhamuns, acompanhado e acompanhadas pela Cáritas Diocesana de Crateús, através do Projeto Paulo Freire, que é financiado pela SDA e pelo FIDA, estão participando do Projeto “Repórter Digital”, ação promovida pelo Instituto Ubíqua. Iana Gonçalves Mendes, da comunidade Pau Preto, Parambu, Elidiene Pereira, da comunidade Açudinho, em Tauá e Rubens Moreira Martins da comunidade Riacho, Quiterianópolis, que fazem parte da Rede de Jovem Comunicadoras/es Populares, já estão participando do curso, que tem como objetivo capacitar 20 jovens do Ceará para produzirem conteúdo informativo e de entretenimento (notas, matérias, vídeos, etc.) através do aplicativo que recebe o mesmo nome do projeto.

Elidiene Pereira

“Esse projeto também está sendo realizado com jovens da Bahia, através do Projeto Pró-Semiárido, e o “Viva o Semiárido”, no Piauí, ambos financiados pelo FIDA, na perspectiva de desenvolver habilidades através de uma capacitação em linguagens temáticas e temas que envolvem a comunicação e a convivência com o Semiárido”, explica Rones Maciel, assessor de juventudes e comunicação no Projeto Paulo Freire /SDA. Segundo ele, a primeira etapa de formação terá uma duração média de três meses, período em que serão desenvolvidas linguagens de áudio, audiovisual, produção de conteúdo para a internet, etc., via tele-aulas. As e os jovens têm acesso a uma plataforma digital que lhes permite assistir às aulas aos fins de semana e desenvolver atividades durante a semana.

Para Iana Gonçalves, um dos desafios é a conexão, pois o sinal nas comunidades camponesas já é melhor do que outrora, mas as vezes alguns jovens não conseguem participar das aulas online, interagir com os colegas nesse momento, mas ninguém fica sem conteúdo, pois existe um esforço tanto das e dos jovens como da coordenação do curso para superar os desafios que apareçam. “A experiência tem sido muito boa, porque além de jovens do Ceará, também vamos interagir com pessoas de outros estados, e vamos poder conhecer outras realidades”, comemora Elidiene Pereira. Segundo ela, essa é uma área de conhecimento desejada por muitas pessoas, e poder ter acesso a esse conteúdo de qualidade é uma oportunidade que ela pretende aproveitar da melhor forma possível.

AS JOVENS VOZES DAS COMUNIDADES

As e os participantes devem desenvolver as atividades como “desafios” a serem cumpridos para interferir na realidade da comunidade onde moram. Elidiene, por exemplo, no primeiro “desafio” identificou a falta de comunicação das atividades desenvolvidas pelo grupo Força Jovem, do qual ela faz parte. Então ela está partilhando o conhecimento que recebe e junto com as/os amigas/os construiu uma estratégia de comunicação. “Queremos por meio das redes sociais mostrar, não só para a nossa comunidade, mas também para as comunidades vizinhas, cada ação realizada pelo o grupo, cada oportunidade dada aos jovens”, resume. Segundo ela, a divulgação pode ajudar a conquistar mais apoio e quem sabe mais jovens.

CADERNETA AGROECOLÓGICA REVOLUCIONA A VIDA DE MULHERES CAMPONESAS

Maria do Rosário e sua caderneta agroecológica

Por Eraldo Paulino, Nágila Feitosa e Sandro Teixeira

O dia já vem raiando, e a professora e agricultora Nilda Soares, 50 anos, comunidade Riacho, Quiterianópolis, levanta. Logo passa o café, mas é no quintal que o dia de fato amanhece para ela, seja aguando as plantas, seja colhendo hortaliças fresquinhas com gotas do orvalho, que além de saudáveis contribuírem para a segurança alimentar e nutricional da família, o excedente ainda será comercializado. Toda essa rotina que sempre lhe deu imenso prazer só passou a ser devidamente valorizada por ela própria após ter contato com a Caderneta Agroecológica, uma ferramenta incentivada pelo Projeto Paulo Freire, realizado na região dos Inhamuns pela Cáritas Diocesana de Crateús (CDC), com financiamento da SDA e do FIDA, que possibilita às mulheres do campo registrar tudo que produzem, e a renda direta e indireta gerada, proporcionando, assim, que elas passem a dar o devido valor ao fundamental trabalho que desenvolvem.

“[Após utilizar a caderneta agroecológica] a gente passou a valorizar o próprio trabalho, enquanto a gente achava que não fazia nada, porque não tinha parado para anotar tudo e avaliar”, continua Nilda. Com ela, são 18 mulheres acompanhadas pela CDC utilizam a caderneta agroecológica, e após um ano e meio do primeiro contato com a ferramenta, todas dão testemunho de como a invisibilidade e a desvalorização do trabalho feminino, imposto pelo patriarcado, pode ser superado a partir do momento que há a devida reflexão sobre a importância das atividades realizadas pelas camponesas. “Hoje vejo o tanto que eu produzo, porque quando eu termino de preencher a ficha do mês eu vejo o tanto que eu consumi, troquei ou vendi. Antes só dava valor às coisas compradas de fora, sendo que a maioria das coisas que consumimos em casa eu tiro do meu quintal”, partilha a agricultora Vilma Alves, de 58 anos, da comunidade Pau Preto, Parambu.

Seguindo a lógica de todo movimento que busca empoderar as mulheres e conquistar direitos para elas, a Caderneta Agroecológica não faz bem só a elas, mas a toda família, especialmente aos filhos e companheiros. “Se ele [o marido, agricultor Nonato Reis, de 34 anos] colhe alguma coisa, ele já vem e fala pra colocar na caderneta. É tipo assim, um time entre eu e ele, porque se ele colhe quando eu não estou em casa, ele me avisa, se ele vende alguma cosias ele me avisa, nós temos essa parceria de nós dois fazermos a anotação juntos”, partilha a agricultora Maria do Rosário, de 22 anos, da comunidade Santana, município de Tauá. Dessa forma, não só o companheiro passa a reconhecer ainda mais a importância da companheira, como também ele próprio passa a se valorizar também, porque a luta das mulheres é para um processo de mudança com, e não sobre os homens.

Maria do Rosário e o companheiro Nonato

MULHERES COMO GUARDIÃS DA AGRICULTURA FAMILIAR

A agricultura familiar e o espaço feminino no campo vêm se modificando a cada dia, de acordo com as multitarefas executadas pelas mulheres, que em muitas ocasiões possuem seu trabalho invisibilizado. Essas se desdobram entre as atividades de mãe, esposa, dona de casa e agricultoras, rompendo diferentes barreiras com suas funções dentro da rotina doméstica, cuidados com os filhos, etc. É possível identificar nessas mulheres a marca do sol na pele, olhos atentos e sorrisos acolhedores que nem sempre revelam os desafios enfrentados. Dentro das atividades executadas pelas mulheres do campo, é visível uma maior segurança na sua execução, como também na sensibilidade da preparação para a produção, consumo ou comercialização dos seus produtos, visando todo o processo desde o seu investimento inicial administrativo como dos seus lucros.                    

Através do empoderamento feminino proporcionado não só pela Caderneta Agroecológica, mas também por toda formação e acompanhamento sistemático proporcionado pelo Projeto Paulo Freire, é possível visualizar um crescimento individual e coletivo na vida de mulheres camponesas, pois se tornam mais independentes e realizadas, possibilitando assim um engajamento social e a qualificação da sua mão de obra direcionadas ao plantio, manejo do solo, recuperação de áreas e produção diversificada, além da reafirmação de que a mulher possui um papel fundamental dentro da sociedade econômica e social, como também comprovar que os seus sonhos podem ser concretos e reais, ou seja, com o devido auxílio a consequência natural é a emancipação delas enquanto sujeitas, protagonistas da própria história.

 A CADERNETA

Você já conhece a Cardeneta Agroecologica, não? Pois se trata de um instrumento de mensuração de valores, desenvolvida pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), e é fácil de manuseio, podendo ser adotada por qualquer agricultor (a) na sua unidade de produção. Nela, as agricultoras fazem as anotações de seus produtos, o que consomem, doam, trocam e comercializam, mensurando em valores seus produtos e serviços, mostrando o protagonismo feminino na geração de renda da família.  E tem mais, depois de estarem usando a caderneta, elas têm diversificado a produção e superado preconceitos.

Você pode saber mais sobre a Caderneta Agroecológica AQUI.