CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE REALIZADA POR FUNDAÇÃO ITALIANA PROSSEGUE

Continuaa campanha de solidariedade lançada pela Fundação Specchio d’Itália e realizada pela Cáritas Diocesana de Crateús, que tem por objetivo a arrecadação de donativos para famílias que passam por dificuldades durante a pandemia. Desde o início da ação, em julho, já foram beneficiadas mais de 160 núcleos familiares e na última sexta-feira, 17, foram entregues 35 cestas básicas para as famílias que trabalham no lixão de Crateús. Na ocasião, houve também um momento de espiritualidade, para agradecer pelo dom da vida e dar graças pela chegada desses alimentos, um gesto fundamental neste momento ainda mais desafiador do que os catadores e as catadoras já vivenciavam antes da chegada da pandemia.

VOLUNTARIOS CISV

A realização da campanha tem como incentivo o empenho dos jovens voluntários e voluntárias italianas, que prestaram serviço na Cáritas de Crateús nos anos passados, e que nunca perderam os contatos com a instituição. Marco Ciot, Marta Versaci e Viviana Pittalis, juntamente com as voluntárias deste ano, Jessica Genova e Elena Manariello, mobilizaram amigos, familiares e conhecidos e conseguiram arrecadar mais de 5 mil euros, cerca de R $32 mil na cotação atual.

“A gente deixou Crateús, mas Crateús nunca deixa nosso coração e nossa alma”, afirma Marco Ciot, voluntário que prestou serviço em 2016. Segundo ele, durante a pandemia os jornais europeus falaram muito da trágica crise sanitária e política que o Brasil vivenciou, porém com o avanço da vacinação esse interesse tem diminuído. “Na Europa achamos que as dificuldades do gigante sulamericano são por causa da COVID-19, esquecendo que a fome e as injustiças sociais matavam já muito antes da pandemia começar”, relata Marco.

“Crateús é um lugar onde sempre me senti bem-vinda e querida por todos e todas”, conta Marta Versaci, voluntária que atualmente trabalha pela Fundação Specchio d’ Italia como projetista. “Quando abrimos a campanha, não sabíamos como ia ser, se ia dar certo ou não. Meus companheiros e eu dedicamos muitos esforços para que fosse divulgada corretamente, e hoje estamos muito satisfeitos”, continua Marta. Segundo ela, o resultado da campanha até aqui é satisfatório e terá continuidade. “Unidos somos mais fortes, e de qualquer lugar do mundo nós estejamos, continuaremos apoiando a causa do povo cearense”, concluiu.

Texto de Angelica Tomassini, Fotos de Mirna Sousa

FAMÍLIAS DO SERTÃO SÃO BENEFICIADAS COM CESTAS ARRECADADAS POR FUNDAÇÃO ITALIANA

Semana passada, 415 pessoas em situação de vulnerabilidade social foram contempladas com 133 cestas básicas através da campanha “Cestas básicas contra a Covid-19 e contra a fome” (em italiano “Pacchi Alimentari contro il Covid e la fame”), realizada pela fundação Specchio d’Italia, em parceria com a Cáritas Diocesana de Crateús, com grande incentivo de Marta Vesarci, Marco Ciot e Viviana Pittalis, italianos que atuaram na Cáritas nos anos de 2016 e 2017. A ação beneficiou oito municípios dos territórios Inhamuns e Crateús, Aiuaba, Arneiroz, Crateús, Ipaporanga, Novo Oriente, Parambu, Quiterianópolis e Tauá. Foram priorizadas famílias com mães solteiras, e as pertencentes a comunidades tradicionais.

A arrecadação de recursos foi feita na Itália de maneira tanto online quanto offline, encontrando doadores privados, que decidiram apoiar a campanha após ficarem sensibilizados com a emergência sanitária e econômica que as famílias brasileiras estão vivenciando. As cestas contém alimentos como arroz, feijão, óleo de soja, café, macarrão, sardinhas, produtos de limpeza pessoal, entre outros itens.

VOLUNTARIOS ITALIANOS

Nos últimos cinco anos, a Cáritas de Crateús acolheu jovens da Itália que vêm participar das ações da Cáritas junto às comunidades, tanto através do serviço civil italiano, via da CISV, ou como voluntários e voluntárias. Um compromisso que para esses jovens estrangeiro vai além do tempo de serviço. E nestes últimos meses de pandemia, os gritos da fome e da depressão chegaram ao conhecimento de alguns deles deles, a exemplo de Marta Vesarci, que atualmente mora na Itália e trabalhando como projetista na fundação Specchio d’Italia, mas jamais perdeu os contatos com as amigas, os amigos e as famílias com quem ela firmou fortes laços.

“Crateús foi minha casa por dois anos, me proporcionando uma experiência inesquecível. Lembro das mulheres agricultoras e pescadoras. Nunca vou esquecer do difícil contexto social que algumas vivenciam dentro da própria casa, e imagino que hoje em dia, com essa pandemia, o bem estar delas piorou.” explica Marta. Sentimento que foi compartilhado com Marco Ciot e Viviana Pittalis, compatriotas que ela conheceu durante sua estadia no Brasil.

“Pensamos que seria uma boa ideia conversar com meus chefes da Fundação para ver se dava para fazer alguma coisa, pois é uma instituição já conhecida e estável na Itália. Disse para os coordenadores que qualquer ajuda, qualquer soma de dinheiro pode fazer a diferença e pode ajudar as famílias mais vulneráveis dos Sertões.”, relata. 

E foi assim que nasceu a campanha, que arrecadou mais de 3 mil euros, cerca de R$ 18 mil na cotação atual. A arrecadação de fundos ainda não fechou, porém os primeiros recursos já foram enviados e entregues para enfrentar as situações mais críticas.

Texto: Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús Revisão Texto: Eraldo Paulino, coordenadora do Setor de Comunicação da Cáritas Diocesana de Crateús Fotos: Mirna Sousa, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús

A agente Cáritas Gina Sena relata como tem sido acompanhar as mulheres da caderneta agroecológica

Maria Moreira Martins, carinhosamente Dona Cruizinha; Agricultura da comunidade Riacho, Quiterianópolis

Mães, avós, esposas, domésticas, agricultoras. Esses são apenas alguns dos tantos papéis que as mulheres Experimentadoras da Caderneta Agroecológica exercem. Papéis esses que foram evidenciados através da construção dos questionários, dos mapas de sociobiodiversidade, e com o uso das Cadernetas. Tem sido um desafio delicioso acompanhar essas mulheres nesse caminho de autodescoberta delas, nesse processo de autovalorização.

A experiência de acompanhamento e cada formação que tivemos a oportunidade de participar, de experimentar ao lado dessas mulheres incríveis, nos ajudou a reconhecer os desafios que elas passam, seja por questões de gênero ou de raça. Falar sobre temas tão delicados como a violência doméstica e a divisão justa do trabalho, principalmente no campo, onde o patriarcado estrutural predomina de forma tão forte, ainda é um tabu.

A caderneta é uma ferramenta simples que nos auxilia de forma prática nessa difícil tarefa de mostrar às agricultoras o quanto elas já fazem e o seu potencial, que são capazes de ter independência financeira, além de fazê-las reconhecer a dimensão do trabalho doméstico e no quintal produtivo, não só no quesito econômico, mas na diversificação e segurança alimentar que ela é responsável.

Para além dos números de consumo, venda, troca e doação, as transformações proporcionadas com o projeto são difíceis de mensurar. A mudança de perspectiva a respeito do papel da mulher é lenta, construída à medida que as ações do projeto reverberam dentro da comunidade onde essas mulheres estão inseridas e através do olhar das técnicas/técnicos que nesse processo disseminamos direta e indiretamente o conhecimento adquirido.

Uma das coisas mais gratificantes em fazer parte da família Cáritas é, assim como Paulo Freire nos orientava, poder reconhecer que cada pessoa carrega consigo aprendizagens, que nenhuma de nós é imutável, que não somos seres acabadas e acabados. E que nesse processo de ensino-aprendizagem todas as pessoas envolvidas aprendem. Foi uma honra poder contribuir com elas, e foi maravilhoso aprender tantas coisas nesse caminho.

Texto: Gina Sena, agente Cáritas e técnica de campo do Projeto Paulo Freire

Revisão: Eraldo Paulino, assesor de comunicação da Cáritas Diocesana de Crateús

Projeto Infância Adolescência e Juventude realiza ação solidaria em Indepêndencia

Na manhã desta quarta feira, 12 de maio, foi realizada uma ação pelo Projeto Infância Adolescência e Juventude – PIAJ, apoiado pela Cáritas Diocesana de Crateús, na comunidade Santa Luzia, no município de Independência, onde o Coletivo Arteando, que é composto por jovens e adolescentes acompanhados pelo PIAJ, recebeu cestas básicas, para ajudar as famílias nesse tempo difícil que vivenciamos de Pandemia.
As famílias se organizaram de forma segura e cuidadosa para receber os alimentos. A alegria no olhar, a gratidão nas palavras e o amor no coração de cada uma delas, foi expressado quando relataram que as cestas chegaram em um bom momento. Para muitas famílias receber essa doação faz muita diferença, pois não se trata apenas da entrega, mas também do resultado do engajamento da juventude com a vida comunitária e com a esperança ativa, que está sendo mantida acesa através da solidariedade e da coletividade.

Por Ana Sabrina, agente Cáritas que atua no Projeto Infância Adolescência e Juventude – PIAJ

VACINAS CONTRA A COVID-19 CHEGAM PARA O POVO INDÍGENA TABAJARA E NO QUILOMBO SERRA DOS PAULOS

Duas comunidades rurais acompanhadas pelo Projeto Paulo Freire, através da Caritas Diocesana de Crateús, começaram desde a última semana de janeiro a primeira fase de subministração das vacinas contra a COVID-19, e devem receber a segunda dose 21 dias após a primeira aplicação. O povo dos remanescentes Tabajara recebeu 100% da primeira dose referente a 350 indígenas, distribuídas em quatro aldeias diferentes porém todas localizadas em Quiterianópolis: Fidélis, Croata, Bom Jesus e aldeia Vila Nova, e também indígenas residentes nas comunidades de São José dos Né, Gavião, Babosa e Espinheiro. Na aldeia Fidelis , acompanhada pela Caritas de Crateús, foram vacinados 114 indígenas

Eleniza Tabajara, liderança do povo Tabajara de Quiterianópolis, aldeia Fidélis, explica que todas as fases estabelecidas no Plano Nacional de Imunização foram respeitadas e que as vacinas distribuídas foram destinadas unicamente para os índios aldeados, ou seja, vivendo atualmente em terras indígenas. “Primeiramente foram vacinadas os idosos acima de 60 anos e no segundo momento, o grupo de 59 anos até os 18 anos. Mesmo sabendo que a luta contra a COVID-19 ainda não terminou para nosso povo, foi um privilégio e uma alegria poder receber a primeira dose. Agora esperamos que a vacina possa chegar para o mundo todo o mais antes possível.” destaca Eleniza.  

Leonardo Tabajara, presidente do CITAQ – Conselho Indígena dos Povos Tabajaras de Quiterianópolis, destaca o trabalho realizado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI, com uma logística que atendeu as orientações de armazenamento, transporte e distribuição das vacinas. “Primeiramente foram vacinados nossos idosos “troncos velhos” e continuamente os demais indígenas das aldeias e isso trouxe umarenovação da fé muito grande”, cita Leonardo.

Vacina em terra quilombola

Também na comunidade Quilombola Serra dos Paulos, Parambu, na semana passada, as primeiras doses chegaram para o grupo prioritário constituído pelos idosos acima de 90 anos e para os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente. Dona Josefa Vitoria da Silva, 90 anos, foi a primeira quilombola a ser beneficiada pela vacina diretamente no seu domicílio. “Eu nem posso explicar a emoção que senti quando a Dona Josefa foi vacinada. A expectativa é que a vacina chegue para a comunidade toda rapidamente, porém temos que ser pacientes e aguardar nosso turno”, relata com muita comoção Maria Pereira Mota, Agente Comunitária de Saúde que acompanha a comunidade.

Segundo ela, este é um momento histórico, um momento importante, mas acrescenta que a pandemia não acabou. “Essa vacina é a salvação, mas agora é muito importante que as pessoas continuem se prevenindo utilizando máscaras e evitando aglomerações”. 

Ambas comunidades são beneficiárias do Projeto Paulo Freire, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. Através da Cáritas Diocesana de Crateús proporciona uma assessoria técnica contínua às famílias das zonas rurais dos Sertões de Crateús e dos Inhamuns e implementa Planos de Investimentos produtivos nas atividades de Mandiocultura, Cajucultura, Avicultura, Ovinocultura e Suinocultura.

“Cuidar das vidas, sempre foi a estrutura que alicerça as ações da Caritas Diocesana de Crateús, e nós como Agentes Caritas que estamos acompanhando essas comunidades e famílias, também nos sentimos privilegiados em poder partilhar desse momento e de demais que virão em breve”, afirmou Daniela Cavalcante, Assessora Social que tua no Projeto Paulo Freire nas duas comunidades. 

Por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús.