A agente Cáritas Gina Sena relata como tem sido acompanhar as mulheres da caderneta agroecológica

Maria Moreira Martins, carinhosamente Dona Cruizinha; Agricultura da comunidade Riacho, Quiterianópolis

Mães, avós, esposas, domésticas, agricultoras. Esses são apenas alguns dos tantos papéis que as mulheres Experimentadoras da Caderneta Agroecológica exercem. Papéis esses que foram evidenciados através da construção dos questionários, dos mapas de sociobiodiversidade, e com o uso das Cadernetas. Tem sido um desafio delicioso acompanhar essas mulheres nesse caminho de autodescoberta delas, nesse processo de autovalorização.

A experiência de acompanhamento e cada formação que tivemos a oportunidade de participar, de experimentar ao lado dessas mulheres incríveis, nos ajudou a reconhecer os desafios que elas passam, seja por questões de gênero ou de raça. Falar sobre temas tão delicados como a violência doméstica e a divisão justa do trabalho, principalmente no campo, onde o patriarcado estrutural predomina de forma tão forte, ainda é um tabu.

A caderneta é uma ferramenta simples que nos auxilia de forma prática nessa difícil tarefa de mostrar às agricultoras o quanto elas já fazem e o seu potencial, que são capazes de ter independência financeira, além de fazê-las reconhecer a dimensão do trabalho doméstico e no quintal produtivo, não só no quesito econômico, mas na diversificação e segurança alimentar que ela é responsável.

Para além dos números de consumo, venda, troca e doação, as transformações proporcionadas com o projeto são difíceis de mensurar. A mudança de perspectiva a respeito do papel da mulher é lenta, construída à medida que as ações do projeto reverberam dentro da comunidade onde essas mulheres estão inseridas e através do olhar das técnicas/técnicos que nesse processo disseminamos direta e indiretamente o conhecimento adquirido.

Uma das coisas mais gratificantes em fazer parte da família Cáritas é, assim como Paulo Freire nos orientava, poder reconhecer que cada pessoa carrega consigo aprendizagens, que nenhuma de nós é imutável, que não somos seres acabadas e acabados. E que nesse processo de ensino-aprendizagem todas as pessoas envolvidas aprendem. Foi uma honra poder contribuir com elas, e foi maravilhoso aprender tantas coisas nesse caminho.

Texto: Gina Sena, agente Cáritas e técnica de campo do Projeto Paulo Freire

Revisão: Eraldo Paulino, assesor de comunicação da Cáritas Diocesana de Crateús

Projeto Infância Adolescência e Juventude realiza ação solidaria em Indepêndencia

Na manhã desta quarta feira, 12 de maio, foi realizada uma ação pelo Projeto Infância Adolescência e Juventude – PIAJ, apoiado pela Cáritas Diocesana de Crateús, na comunidade Santa Luzia, no município de Independência, onde o Coletivo Arteando, que é composto por jovens e adolescentes acompanhados pelo PIAJ, recebeu cestas básicas, para ajudar as famílias nesse tempo difícil que vivenciamos de Pandemia.
As famílias se organizaram de forma segura e cuidadosa para receber os alimentos. A alegria no olhar, a gratidão nas palavras e o amor no coração de cada uma delas, foi expressado quando relataram que as cestas chegaram em um bom momento. Para muitas famílias receber essa doação faz muita diferença, pois não se trata apenas da entrega, mas também do resultado do engajamento da juventude com a vida comunitária e com a esperança ativa, que está sendo mantida acesa através da solidariedade e da coletividade.

Por Ana Sabrina, agente Cáritas que atua no Projeto Infância Adolescência e Juventude – PIAJ

VACINAS CONTRA A COVID-19 CHEGAM PARA O POVO INDÍGENA TABAJARA E NO QUILOMBO SERRA DOS PAULOS

Duas comunidades rurais acompanhadas pelo Projeto Paulo Freire, através da Caritas Diocesana de Crateús, começaram desde a última semana de janeiro a primeira fase de subministração das vacinas contra a COVID-19, e devem receber a segunda dose 21 dias após a primeira aplicação. O povo dos remanescentes Tabajara recebeu 100% da primeira dose referente a 350 indígenas, distribuídas em quatro aldeias diferentes porém todas localizadas em Quiterianópolis: Fidélis, Croata, Bom Jesus e aldeia Vila Nova, e também indígenas residentes nas comunidades de São José dos Né, Gavião, Babosa e Espinheiro. Na aldeia Fidelis , acompanhada pela Caritas de Crateús, foram vacinados 114 indígenas

Eleniza Tabajara, liderança do povo Tabajara de Quiterianópolis, aldeia Fidélis, explica que todas as fases estabelecidas no Plano Nacional de Imunização foram respeitadas e que as vacinas distribuídas foram destinadas unicamente para os índios aldeados, ou seja, vivendo atualmente em terras indígenas. “Primeiramente foram vacinadas os idosos acima de 60 anos e no segundo momento, o grupo de 59 anos até os 18 anos. Mesmo sabendo que a luta contra a COVID-19 ainda não terminou para nosso povo, foi um privilégio e uma alegria poder receber a primeira dose. Agora esperamos que a vacina possa chegar para o mundo todo o mais antes possível.” destaca Eleniza.  

Leonardo Tabajara, presidente do CITAQ – Conselho Indígena dos Povos Tabajaras de Quiterianópolis, destaca o trabalho realizado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI, com uma logística que atendeu as orientações de armazenamento, transporte e distribuição das vacinas. “Primeiramente foram vacinados nossos idosos “troncos velhos” e continuamente os demais indígenas das aldeias e isso trouxe umarenovação da fé muito grande”, cita Leonardo.

Vacina em terra quilombola

Também na comunidade Quilombola Serra dos Paulos, Parambu, na semana passada, as primeiras doses chegaram para o grupo prioritário constituído pelos idosos acima de 90 anos e para os profissionais de saúde que trabalham na linha de frente. Dona Josefa Vitoria da Silva, 90 anos, foi a primeira quilombola a ser beneficiada pela vacina diretamente no seu domicílio. “Eu nem posso explicar a emoção que senti quando a Dona Josefa foi vacinada. A expectativa é que a vacina chegue para a comunidade toda rapidamente, porém temos que ser pacientes e aguardar nosso turno”, relata com muita comoção Maria Pereira Mota, Agente Comunitária de Saúde que acompanha a comunidade.

Segundo ela, este é um momento histórico, um momento importante, mas acrescenta que a pandemia não acabou. “Essa vacina é a salvação, mas agora é muito importante que as pessoas continuem se prevenindo utilizando máscaras e evitando aglomerações”. 

Ambas comunidades são beneficiárias do Projeto Paulo Freire, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. Através da Cáritas Diocesana de Crateús proporciona uma assessoria técnica contínua às famílias das zonas rurais dos Sertões de Crateús e dos Inhamuns e implementa Planos de Investimentos produtivos nas atividades de Mandiocultura, Cajucultura, Avicultura, Ovinocultura e Suinocultura.

“Cuidar das vidas, sempre foi a estrutura que alicerça as ações da Caritas Diocesana de Crateús, e nós como Agentes Caritas que estamos acompanhando essas comunidades e famílias, também nos sentimos privilegiados em poder partilhar desse momento e de demais que virão em breve”, afirmou Daniela Cavalcante, Assessora Social que tua no Projeto Paulo Freire nas duas comunidades. 

Por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús.

Práticas integrativas e complementares na construção do Bem Viver, mãos que acolhe, cuida e promovem uma vida.

Por Sandro Teixeira, técnico de campo do Projeto Paulo Freire

Diante de inúmeros cenários, em meio a tantas adversidades, perceber a presença do outro, a prática do cuidado e a empatia são relações que estão se perdendo em meio a tantas atribulações. As pessoas estão adoecendo. Muitas são acometidas por doenças físicas, mentais e espirituais. O peso nos ombros das inúmeras enfermidades traduzidas por elas e eles, tem transformado a humanidade em um celeiro de necessidades e a busca incessante por tratamentos rápidos e eficazes. Esse contexto nos torna reféns de um sistema onde, a todo o momento, somos induzidos a fazer uso de substâncias. Em algumas circunstâncias pela praticidade, crenças ou dificuldades de atendimento na rede pública de saúde, optam pela automedicação, caracterizando um grande risco à saúde.

No campo específico da saúde, a Cáritas Diocesana de Crateús (CDC), na sua missão de promover o evangelho, tem exercido a prática da escuta, do diálogo, do sentir e do agir como Jesus o fazia, acolhendo pessoas empobrecidas, em situação de miséria e abandono. Ao longo de sua trajetória, a CDC tem promovido práticas integrativas e complementares que tem sido um caminho em restabelecer a autoestima e a identidade, mudando a perspectiva do cuidado com a saúde integral da pessoa ao invés de tratar apenas doença. Essa percepção e opção faz das práticas interativas e complementares ferramentas de promoção da saúde física, mental e espiritual de seus agentes, parceiros e público acompanhado

Elas surgem da necessidade da partilha entre as pessoas em buscar um novo jeito saudável de viver, de se relacionar com a natureza, evidenciando a diversidade dos saberes, dos conhecimentos adquiridos e construídos ao longo da vida. Sua importância parte da necessidade de trabalhar práticas saudáveis, na prevenção de doenças (atenção básica), na busca pelo equilíbrio físico, mental e emocional, no autoconhecimento para poder cuidar da saúde. Isso se dá na troca de experiência entre sujeitos que já vivenciam essas práticas com aqueles que buscam vivenciá-las.

As praticas integrativas e complementares são legitimadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém, se tornam, em geral, privilégio das elites.

ESPAÇO BEM VIVER

Hoje, a CDC dispõe do Espaço Bem Viver, destinado às práticas integrativas e complementares, dentre elas: Acupuntura, Auriculoacupuntura, Terapia Floral, Yoga, Reiki, Barra de Access Consciousness, Terapia Comunitária Integrativa, Aromaterapia, Constelação Familiar, Dinâmicas de Resgate da Autoestima e Chá da Tarde. O Espaço do Bem Viver quer ser um espaço popular de acolhida e partilha dessas praticas com as pessoas mais necessitadas.
Nesse tempo de isolamento social, decorrente da pandemia do COVID-19, algumas práticas têm sido ofertadas por meio das plataformas digitais ampliando a linha de ação, levando informação, formação e saúde as pessoas do campo e da cidade. Enfim, conta com contingente de profissionais em varias áreas, parceiros que contribuem e oferecem orientações para os cuidados com a vida e a saúde, integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade.

A CÁRITAS DIOCESANA DE CRATEÚS TEM NOVA DIRETORIA PARA O BIÊNIO 2020- 2022

por Angelica Tomassini, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús

A Cáritas Diocesana de Crateús, realizou na sexta feira 09 de outubro, a sua assembleia anual para revisar as atividades realizadas, prestar contas das finanças de cada projeto, e para as eleições da nova Diretoria para o biênio 2020-2022. A reunião aconteceu de maneira remota, respeitando as orientações da Organização Mundial da Saúde, e teve a presença das/os agentes Cáritas, pastorais e paróquias da Diocese de Crateús, representante da Cáritas Brasileira Regional Ceará, parceiros, e representantes das comunidades beneficiadas. 

Francisco Helton Rodrigues Melo, pároco da Paróquia Senhor do Bonfim de Crateús, e tesoureiro na diretoria passada, assume a presidência da Cáritas Diocesana de Crateús. “É uma alegria ter Padre Helton como presidente pela segunda vez e esperamos que seja um mandado repleto de novos projetos, formações e diálogo entre as várias entidades da instituição”, observou ir. Francisca Erbenia Sousa, coordenadora geral da Cáritas. 

A nova diretoria ficou assim constituída: 

Diretoria da Cáritas Diocesana de Crateús:

Francisco Helton Rodrigues Melo – Presidente 

Jonas da Luz dos Santos – Vice – Presidente 

Rosane Maria Torres Cardoso – Tesoureira 

Maria Eulalia da Silva Paulo – Secretaria 

Conselho Fiscal- Titulares

1ª Francisca Estevânia Ferreira

2ª Maria do Socorro Mota

3ª Antonio José da Luz Santos

Conselho Fiscal- Suplentes

1ª Francisco Thallys Rodrigues

2ª Jose Humberto Gomes

3ª Ribamar do Nascimento

A Coordenação da Colegiada, fica inalterada e assim composta: 

Francisca Erbenia de Sousa – Coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús

Antônio Adriano da Silva leitão – Coordenador do projeto “Pescadoras e Pescadores, Construindo o Bem Viver nos territórios de Crateús e Inhamuns” 

Keila Delly Marinhero Veríssimo – Coordenadora do projeto “Projeto Paulo Freire (PPF)” 

Dulce Fabian Ludovina – Coordenadora do projeto “Tecendo Redes de Solidariedade”

Paulo Cesar Andrade Oliveira – Coordenador do projeto “Projeto Contexto Educação, Gênero, Emancipação”.