CÁRITAS DIOCESANA DE CRATEÚS CELEBRA 15 ANOS RENOVANDO OS VOTOS DE SER PARTE DE UMA IGREJA EM SAÍDA

Por Adriano Leitão e Eraldo Paulino

"E, tomando ele os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, e abençoou, e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles. E repartiu os dois peixes por todos. E todos comeram e ficaram fartos" (Mc 6, 41s)

Há 15 anos, um cordel de solidariedade começou a ser (re) escrito a várias mãos no campo e na cidade das regiões dos Inhamuns e Crateús, quando a Cáritas fora rearticulada na Diocese de Crateús, sob a liderança pastoral de Dom Jacinto. Versos proféticos que têm o lirismo dos gestos concretos de libertação, o consequente protagonismo das comunidades camponesas e periféricas, rimando sempre com a sabedoria popular e o compromisso evangélico, legado da igreja encarnada liderada por dom Fragoso. Havia vários momentos festivos programados para celebrar tal ciclo, que se renova no mês de abril. Porém, diante dos desafios do enfrentamento à pandemia de Covid-19, é na experiência do cuidado com a vida de centenas de famílias atingidas pelas enchentes em Crateús, Novo Oriente, Quiterianópolis e Tauá que a Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) renova os votos de ser a carícia da igreja a quem mais necessita.

Após as enchentes do mês de março, rapidamente as e os agentes da CDC se juntaram a entidades parceiras para prestar os atendimentos mais emergenciais, arrecadar mantimentos e contribuição financeira para garantir o mínimo necessário para a preservação da vida das famílias atingidas, e segue na articulação para garantia de direitos. Numa movimentação que marca parte do ser Cáritas de Crateús, que é fazer com, e não para, e não sobre, mas em parceria, numa grande ciranda de solidariedade. Dessa forma foi possível, até o momento, articular, comprar, fazer e distribuir cerca de 1.460 (Mil Quatrocentos e sessenta) Cestas Básicas, que corresponde a 15 mil toneladas de alimentos.

Tais doações foram feitas pelas paróquias e áreas pastorais da Diocese de Crateús, liderada por dom Ailton Menegussi, OAB Crateús, CAACE Crateús, Lion, Sindicato dos Professores de Crateús, Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará, Plataforma Educação Marco Zero,Consorcio Brasil Trentino,  Fondazione la Rosa Rossa onlus,Igreja da Paz, Governo do Estado e pessoas voluntarias . Foram atendidas até o momento 355 Famílias atingidas pelas enchentes e 1.105 em situação de fome pelo COVID-19, além da entrega de 309 kits de material de higiene e limpeza e 300 Máscaras. Conseguimos através de doação voluntaria Roupas, Redes, Lençois e alguns utensílios domésticos para partilhar com aqueles e aquelas que perderam nas enchentes.

A Distribuição em Crateús foi realizada pela Cáritas Diocesana, Assistência Social, Igreja da Paz e LIONS. Com apoio de Animadores/as das Comunidades, Paróquia Imaculada Conceição, Paróquia Senhor do Bonfim e Agentes Comunitárias de Saúde. Desde Março estamos acompanhando e dando assistência diretamente aos municípios de Quiterianópolis, Novo Oriente e Crateús que foram os mais atingidos pelas enchentes sendo que: Crateús foram 284 famílias atingidas, em áreas Urbanas, dessas 264 com perdas de utensílios domésticos e com algumas estruturas comprometidas; Quiterianópolis 140 Famílias atingidas pelas enchentes, em 08 comunidades rurais, destas 26 ficaram desabrigadas; e Novo Oriente aproximadamente 480 famílias atingidas pelas enchentes em comunidades rurais, 08 perderam suas casas.

Atualmente, a situação de isolamento social por conta da pandemia tem aumentado as situações de fome e já são aproximadamente 1.500 famílias cadastradas e sendo beneficiadas com cestas básicas através das doações que nos chegam. Agradecemos imensamente todos os esforços para partilhar o pão com as famílias e queremos continuar contando com sua doação de alimentos ou contribuição financeira. Agradecemos também a todas as pessoas que nesse caminho apoiam confiam que todas as nossas energias, todos os recursos que mobilizamos, todas as ações que realizamos são para o povo, são com o povo, são do povo de Deus.

CELEBRAÇÃO DOS 15 ANOS

Ao longo de todo ano de 2020 seguiremos celebrando de várias formas os 15 anos de rearticulação da Cáritas Diocesana de Crateús, como for mais viável e justo, fazendo memória de todas as lutas, todas as conquistas, todos os desafios que seguimos tentando superar juntas e juntos, além de todas as pessoas as pessoas imprescindíveis para esta jornada. Sempre a serviço dos cuidados com a vida.

Pelo Bem Viver no Semiárido: Pesquisa busca modernizar técnicas de adubo, irrigação e reaproveitamento de água

Reunião com representações de We World, Cáritas, UFC e EFA Dom Fragoso, na área da escola.

Visando o Bem Viver das famílias camponesas do Semiárido, a We World e a Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) vêm procurando ampliar o horizonte de parcerias para, entre outras conquistas, encontrar soluções tecnológicas que dialoguem com a sabedoria popular e tragam melhorias em várias dimensões da vida das comunidades. Foi assim que surgiu o Projeto Brasil e Trentino: Novas oportunidades de co-desenvolvimento 2019-2021, realizado conjuntamente com a Rede de Associações Brasileiras e Trentinas, Universidade Federal do Ceará, Universidade de Bologna (Itália), Fondazione E. Mach e a Escola Família Agrícola Dom Fragoso (EFA), de Independência-CE.

Envolvendo as e os estudantes da EFA em todos os processos, a ideia do projeto é desenvolver pesquisas na área de adubo orgânico, irrigação e reaproveitamento de água, querendo ir além das possibilidades já alcançadas pelo Bioágua Familiar, utilizando o propício espaço da escola para tal. A EFA, inclusive, já possui laboratórios e um método de ensino para a convivência com o Semiárido que são uma referência para todo o Ceará. Não por acaso, quem vai desenvolver a maior parte dos estudos de campo é Mardones Servulo, que estudou na primeira turma da escola e hoje é engenheiro agrônomo e doutorando da UFC.

“A minha jornada de formação política e acadêmica começou na EFA, que na época funcionava apenas com Ensino Fundamental. Depois de formado, sempre tentei dar retorno e compartilhar com a escola o que aprendi”, se orgulha Mardones, que também é membro do Instituto Bem Viver (IBV), criado basicamente por ex-educandos da Dom Fragoso, através do qual foi possível implementar o sistema Bioágua Familiar adaptado para a estrutura escolar. “É um privilégio poder hoje desenvolver meu projeto de pesquisa e extensão neste lugar tão importante para as famílias camponesas do Ceará”, avalia.

Área sendo preparada para o roçado na EFA.

ENTENDA O PROJETO

O Projeto Brasil e Trentino: Novas oportunidades de co-desenvolvimento 2019-2021 dialoga diretamente com os objetivos da Agenda 2030 da ONU, e tem o intuito de gerar novas possibilidades de técnicas agroecológicas, na perspectiva da convivência com o Semiárido, para que as famílias camponesas continuem produzindo com qualidade e relativa abundância mesmo em tempos de estiagem prolongada. Mais especificamente, as pesquisas serão divididas em dois períodos distintos na vida do Semiárido: A chamada “Quadra Chuvosa” (aproximadamente de dezembro a junho, embora com precipitações mais concentradas de março a maio) e o período de estiagem, (aproximadamente de junho a novembro).

Na primeira etapa será testado o aprimoramento do plantio de feijão, na chamada “Cultura de Sequeiro”, ou seja, a roça tradicionalmente cultivada no período chuvoso pelas famílias camponesas da região semiárida do Brasil. Nesta fase serão testados adubos orgânicos e outras formas de manejo que potencializem tal produção nas comunidades. No período de estiagem, serão testadas formas de reuso de águas que vão além do que já feito no Bioágua Familiar, com intuito de criar áreas de plantio de palma irrigadas com água reutilizáveis, com a finalidade de fornecer alimento para ovinos e caprinos, animais de médio porte adaptados ao Semiárido, na perspectiva de garantir forragem mesmo em períodos de seca.

“Como os estudantes participam de todas as etapas, da construção ao processo de pesquisa, estamos ao mesmo tempo fazendo pesquisa e extensão, porque todas as famílias e as comunidades das/os educandas/os de forma indireta também estarão sendo contempladas nessa busca por conhecimento”, argumenta Mardones. A EFA Dom Fragoso adota o modelo da Pedagogia da Alternância, em que os espaços de aprendizagens são divididos em “Tempo Escola” e “Tempo Comunidade”, levando e trazendo de forma contínua e processual os saberes populares e acadêmicos.

Ao fim desse processo de pesquisa, as famílias que fazem parte da EFA terão um espaço ainda mais reconhecido enquanto laboratório de saberes, aumentando as possibilidades de tecnologias acessíveis não só a elas, mas para todas as comunidades que busquem aprimorar suas práticas. Numa conjuntura em que a ciência vem sendo atacada no Brasil de várias maneiras, ações como essas são, de muitas maneiras, uma forma de resistência.

Balanço da situação das famílias atingidas por enchentes nas regiões dos Inhamuns e Crateús

Entrega de mantimentos no bairro Maratoan, em Crateús.

Diante do desafio de atender famílias desabrigadas após barragens encherem e rios transbordarem nas regiões dos Inhamuns e Crateús, onde a Cáritas Diocesana de Crateús tem presença mais forte, as e os agentes Cáritas se uniram a dezenas de voluntárias/os, secretarias municipais, Defesa Civil e lideranças paroquiais no esforço de mitigar os efeitos causados às comunidades. Com atuação mais forte em Crateús e em Quiterianópolis, a situação de Tauá e Novo Oriente também foram monitoradas, e passado o momento dos atendimentos mais urgentes, como remanejamento para abrigos, arrecadação e distribuição de donativos, levantamento de prejuízos, o momento é de reconstrução não apenas das vidas afetadas, mas também da luta pela cidade que merecemos e queremos.

Embora, felizmente, não se tenha registro de vítimas fatais, um dado preocupante é que os incidentes ocorrem num período de pandemia, em que as organizações de saúde recomendam quarentena. Então houve preocupação tanto com as pessoas dispostas a ajudar, como com as pessoas remanejadas para abrigos para que os protocolos de prevenção fossem adotados. “Estamos a serviço da vida. Apesar de toda Diocese de Crateús estar adotando as corretas orientações e medidas de isolamento social, é preciso que tenhamos a sensibilidade de saber a hora de abrir exceções. E entre elas está serviços essenciais para a vida. Se não fosse a nossa intervenção, as consequências seriam muito piores”, argumenta a irmã Francisca Erbenia Sousa coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús.

Segundo ela, o mesmo cuidado se observou entre as muitas pessoas que se mobilizaram para fazer doações. Primeiro para Quiterianópolis, e depois para Crateús, a Cáritas foi uma das principais referência na arrecadação, seja de material de higiene pessoal, seja de roupas, calçados, alimentos não perecíveis, água e dinheiro. “Apesar de tudo é nessas horas que observamos os sinais concretos de solidariedade. Inclusive, há muitos gestos de caridade de pessoas de outros municípios”, observa Adriano Leitão, agente Cáritas. Doações que, inclusive, continuam sendo aceitas, seja com material de higiene pessoal, água, alimentos não parecíveis ou ajuda financeira através da conta: Ag. 237-2, Conta Corrente 37219-6, da Cáritas Diocesana de Crateús, cujo CNPJ é 07354284/ 0001-63.

Parte da equipe planejando as ações de assistência em Crateús

SITUAÇÃO EM CRATEÚS

Na situação mais recente, ocorrida na madrugada do dia 25 de março, um volume de chuvas de 140 mm provocou a inundação de ruas, alagamento de casas, atingindo ao todo 219 famílias, 679 pessoas. Algumas foram transferidas para abrigos provisórios, como a Escola Municipal Francisca Machado, no bairro Fátima II, e outras duas escolas indígenas. Todas elas, porém, já foram atendidas, ou com mantimentos (roupas alimentos, água potável, etc.), ou com referido remanejamento provisório. Até segunda-feira os órgãos competentes divulgarão um relatório mais detalhados dos prejuízos do ponto de vista material e ambiental, da situação de famílias desalojadas e desabrigadas, além das ações que devem ser adotadas diante da atual conjuntura.

Parte da equipe fazendo triagem nas doações em Quiterianópolis

SITUAÇÃO EM QUITERIANÓPOLIS

Primeiro município que registrou rompimento de barragens e alagamentos na região, a situação se agravou em Quiterianópolis após as fortes chuvas que caíram nos dias 15 a 17 deste mês, num inverno já considerado ótimo nos meses anteriores. As localidades atingias foram São Francisco, São Miguel, Areias, Ponta I, Santa Rita, Saquinho, Croá, Beira do Rio Poty, Pombo, Pedra Preta e sede do município. Muitas delas ficaram sem energia elétrica. Foram 83 famílias desalojadas e 31 estão desabrigadas, fora o caso das comunidades Areias e Pedra Preta, onde até agora não se conseguiu chegar, devido as dificuldades de acesso. Além de várias casas com estrutura destruída ou comprometida, foram 42 açudes danificados, 17 poços profundos ou cacimbões soterrados, 30 estradas vicinais interrompidas, além de 32 passagens molhadas (espécies de pontes) totalmente destruídas. Nesta cidade, as e os agentes Cáritas colaboraram com arrecadação, triagem e distribuição de mantimentos.

SITUAÇÂO EM TAUÁ E NOVO ORIENTE

Em Tauá a comunidade Jardim e o bairro Alto Nelândia foram os mais afetados, com prejuízo em lavouras, destruição de cercas, e uma família desabrigada na sede do município. Já em Novo Oriente, 1.820 famílias foram de alguma forma atingidas nas comunidades Areias, São Francisco, Batista, Lagoa das Pedras, Lagoinha, Monte Alegre, Acampamento e Várzea dos Angicos. Quatro famílias ficaram desabrigadas, outras quatro desalojadas e três tiveram a estrutura da casa comprometida.

EM CENÁRIO DE PANDEMIA, NÃO RECONTRATAR IMEDIATAMENTE MÉDICOS CUBANOS PODE CUSTAR VIDAS

Com 238 casos confirmados de novo coronavírus (COVID-19), o Ceará é o terceiro estado com mais infectados no Brasil, representando real ameaça de colapso do sistema público de saúde. Atualmente há mais de 150 médicos cubanos morando em cidades cearenses, que estão entre os cerca de 2015 vivendo em todo país que foram desligados do Programa Mais Médicos em dezembro de 2018. Desde então, a gestão de Bolsonaro lançou vagas em editais de programa similar que não foram ocupadas por profissionais brasileiros, sobretudo em áreas mais remotas. No fim de 2019, a Lei Médicos Pelo Brasil deu respaldo legal para a recontratação dos médicos cubanos ora desligados. Estamos no fim de março, em plena pandemia, e o Governo Federal lançou novo edital na última semana, com a previsão de convocar os profissionais caribenhos apenas na terceira chamada, demora esta que é desnecessária e pode custar muitas vidas.

A Associação Nacional dos Profissionais Médicos formados em Instituições de Educação Superior Estrangeiras e dos Profissionais Médicos Intercambistas do Projeto Mais Médicos para o Brasil (ASPROMED), inclusive, até agora não foi procurada pelo Ministério da Saúde para um diálogo, e defende que os médicos cubanos, em especial, sejam reinseridos no programa imediatamente, desafogando de imediato a atenção básica a saúde, que já sofre problemas de falta de atendimento anteriormente à pandemia. “Já entramos com uma ação na justiça e estamos aguardando por uma decisão liminar, pois se trata de uma reintegração, por isso não há necessidade de passarmos por uma nova avaliação ou por um edital. Há pessoas precisando de ajuda e queremos ajudar”, avalia Yunaydis Rodríguez Plutin, representante da ASPROMED no Ceará.

A ASPROMED se respalda na Lei Médicos pelo Brasil, sancionada em dezembro do ano passado e que, entre outras providências, permite a recontratação dos médicos cubanos que estavam em pleno exercício da função quando o acordo entre os governos cubano e brasileiro foi rompido. Para Yunadis, a reconvocação dos médicos cubanos já era urgente, mas diante da pandemia do novo coronavírus é inexplicável que exista tamanha demora para tal, mesmo diante de exemplos como o da Itália, que demorou a tomar medidas mais sérias e com o sistema de saúde em colapso recorreu a 52 profissionais cubanos, entre médicos e enfermeiros. Um mês após o primeiro caso testado positivo para coronavírus, o Brasil só perde para a China no crescimento de casos. São 2.915, com 77 mortes (três no Ceará). No mesmo período (Um mês após o primeiro caso), a Itália, país que hoje tem o maior número de mortes (acima de 7 mil), tinha 1.694 casos confirmados e 29 mortes.

Ou seja, a tendência é que entre abril e maio seja o pico de infecções no Brasil. Auge este que pode ser atenuado com a política de prevenção que já vem sendo adotada pelos governos estaduais e pelo Ministério da Saúde, embora o atendimento a áreas remotas precise ser urgentemente reforçado. “Pessoas com sistema imunológico prejudicado por gripes e outras doenças ficam mais fracas, aumentando a vulnerabilidade delas para o novo coronavírus. É urgente que reforcemos o atendimento básico de saúde, principalmente nas periferias e locais com menos recursos, que são justamente os locais onde nossa atuação mais faz falta”, argumenta Yasminia Tomasen Queralta, médica cubana que atualmente mora em Crateús-CE. A ASPROMED espera que as autoridades cearenses pressionem o Governo Federal para que se faça cumprir imediatamente a Lei Médicos pelo Brasil, e que os profissionais de Cuba possam voltar à atuação para salvar vidas brasileiras imediatamente.

Cáritas participa de atendimento emergencial às vítimas da enchente em Crateús

Agentes Cáritas agindo sem esquecer a prevenção

Seguindo todos os protocolos de prevenção orientados pela Organização Mundial da Saúde e os especialistas em epidemiologia, nossas/os agentes da Cáritas Diocesana de Crateús saíram de forma extraordinária da necessária quarentena, e ajudaram a atender as famílias desabrigadas em decorrência da chuva de cerca de 140 mm que caiu na sede de Crateús, na madrugada desta quarta, 25. Até o presente momento, a Secretaria de Assistência Social de Crateús estima que foram aproximadamente 100 casas atingidas, provavelmente 500 pessoas, em várias áreas mais baixas da cidade. Pela manhã desta quinta, 26, os servidores da secretaria devem fazer o cadastro de todas elas, e então informar à população com mais precisão a quantidade de vítimas.

Com o apoio de agentes Cáritas, lideranças da Paróquia Senhor do Bonfim, da própria Secretaria de Assistência Social e o conjunto de secretarias municipais, Defesa Civil e uma legião de voluntárias/os, rapidamente socorros emergenciais, como abrigos provisórios e alimentação foram providenciados. Apenas as postagens na página do Facebook da Cáritas noticiando o ocorrido, anunciando o recebimento de ajuda de materiais e dinheiro alcançou, rapidamente, mais de 50 mil pessoas, além de mais de 700 compartilhamentos, o que gerou uma grande comoção e mobilização de solidariedade. Ainda hoje foi iniciado o trabalho de triagem e de distribuição de mantimentos doados.

Doações chegando em grande número à sede da Cáritas Diocesana de Crateús.

“É muito importante que as pessoas dispostas e com possibilidade de ajudar continuem nos enviando doações ou compartilhando nossas notícias e campanhas, para que não falte nada de necessário a essas pessoas”, explica Adriano Leitão, agente Cáritas. Segundo ele, o clamor das populações mais necessitadas é sempre prioridade para a entidade católica, e é possível prestar socorro e ao mesmo tempo tomar todas as providências necessárias para conter a pandemia do novo coronavírus, embora a recomendação é que, quem puder, não saia de suas casas. “Inclusive, uma de nossas preocupações é que as famílias atingidas tenham acesso mínimo a medidas sanitárias que coíbam ao máximo a proliferação do vírus entre elas. São pessoas que só não estão em casa por conta de um acidente, mas elas têm o direito à prevenção, e conseguirão com o grande mutirão que está se formando, acredita.

CÁRITAS E OS DESAFIOS DO MUNDO URBANO

Atuando há 15 anos numa nova etapa da existência na Diocese de Crateús, a entidade que surgiu na Alemanha, no século 19, justamente para atender a emergências como essa, hoje atua em rede global em diversas frentes  de assistência humanitária, sem perder o foco do atendimento a situações como esta. E desde que retomou sua caminhada na região de Crateús, no século 21, a Cáritas Diocesana de Crateús atua direta ou indiretamente em todas as situações de emergência social nas periferias urbanas do território, especialmente em terras crateuenses, em Tauá e Nova Russas, que possuem as maiores desafios da questão urbana na área diocesana.

Apesar de hoje ter presença em mais de 20 municípios de várias regiões de todo Ceará, atuando em áreas como agroecologia, convivência com o Semiárido, Educação Contextualizada, energias renováveis, e etc., a Cáritas de Crateús jamais deixou de ter uma forte presença frente a questões urbanas, e, ao lado das comunidades mais empobrecidas, luta para que, no futuro, incidentes como esse possam ser evitados ou minimizados, com saneamento básico, planejamento e execução de um Plano Diretor Urbano que atenda às vozes e os interesses destas populações. Para tal, através do projeto Tecendo Redes, realizado pela Cáritas Regional Ceará, em parceria com as cáritas diocesanas, incluindo a de Crateús, com apoio da Misereor, promove e continuará promovendo escolas de cidadania e mesas de negociação entre comunidades empoderadas e o poder público, na perspectiva da construção permanente e inclusiva da cidade que queremos e merecemos.